Tal como aconteceu no município da Mealhada, os elementos do movimento “S.O.S. Rio Cértima / Pateira” deslocaram-se à Assembleia Municipal de Anadia para através, da entrega de panfletos, manifestarem o seu descontentamento pela poluição e falta de limpeza no rio Cértima. A resposta foi imediata, com a bancada do Movimento Independente Anadia Primeiro a recordar “o investimento da Câmara de Anadia, em cento e cinquenta mil euros, nos últimos dois anos” e a lamentar o facto da Secretaria de Estado subsidiar os concelhos de Oliveira do Bairro e Águeda para intervenções no rio, esquecendo os de Anadia e Mealhada.

Os responsáveis pelo movimento “S.O.S. Rio Cértima / Pateira” consideram que o trabalho realizado pelos Municípios de Águeda e Oliveira do Bairro, subsidiados pelo Estado para intervenções no rio, devia ser replicado pelos de Anadia e Mealhada, que não tiveram a possibilidade de um acordo semelhante porque nunca foram contactados para esse efeito.

“Nos últimos dois anos, esta edilidade interveio no rio em valores superiores a cento e cinquenta mil euros e, por certo, mais obra faria se as autoridades, que supervisionam os recursos em causa, permitissem e custeassem mais intervenções”, começou por dizer Luís Santos, da bancada do MIAP, relembrando que “o estado de degradação das águas” não se deve exclusivamente a descargas ocasionais, mas também “ao uso de fertilizantes e pesticidas em longos quilómetros de agricultura nas suas margens” e ao facto de o caudal ser insuficiente em alguns locais, originando pequenas lagoas que, “com o tempo, perdem oxigenação e se transformam em locais de água podre”.

No final da sua intervenção, Luís Santos criticou o papel do secretário de Estado que viabilizou a entrega de subsídios para intervenções no rio Cértima aos Municípios de Oliveira do Bairro e Águeda, designando a situação de incorreta e inaceitável, por não contemplar os restantes municípios, até porque, enfatiza, “o rio nasce na Mealhada e atravessa Anadia de Sul a Norte”. “Esteve muito mal o senhor secretário de Estado e não melhor os presidentes dos concelhos de Águeda e Oliveira do Bairro, uma vez que nos problemas que são de todos, exige-se solidariedade de todos!”.

João Gaspar, do Partido Social Democrata, lamentou que “seja o Município de Anadia a pagar por aquilo que outras entidades fazem”, enfatizando que “Anadia não pode ser enxovalhada como se fosse a poluidora do rio”. E da mesma bancada, João Tiago Castelo Branco defendeu que “a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro devia ter uma responsabilidade acrescida na matéria” e que “é de louvar a iniciativa do ‘SOS’”, afirmando, contudo, que “é preciso ter cuidado para não se politizar um tema que tem muitos anos e que merece o cuidado de todos, incluindo o do Governo”.

E na sua intervenção, Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, afirmou que “a preocupação é com o rio Cértima, mas também com os rios da Serra e Levira”. “Nem sempre é fácil conhecer os prevaricadores, mas quando temos alertas vamos ao local e chamamos o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente”, continuou a autarca, explicando que “a limpeza dos rios no concelho de Anadia tem sido feita sem apoio de qualquer órgão do Estado”. “E a verdade é que em qualquer intervenção que fazemos tem que haver pareceres do Ministério do Ambiente, que devia ser a entidade a fiscalizar e apoiar estes trabalhos. Quem devia ter responsabilidade, isenta-se dela!”, concluiu.

 

Mónica Sofia Lopes