Um grupo de pessoas pertencentes ao movimento “S.O.S. Rio Cértima / Pateira” manifestaram, junto de autarcas da Mealhada, as suas preocupações com a poluição e falta de limpeza do rio, alegando estar em causa pouca atenção por parte dos concelhos de Anadia e Mealhada. Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, relembrou a disponibilização do Ministério do Ambiente em acompanhar técnico e financeiramente os Municípios de Águeda e Oliveira do Bairro, nesta situação, lamentando o “esquecimento” que teve para com os concelhos de Anadia e Mealhada. O autarca defendeu ainda a sua posição em relação às questões ambientas, garantindo que a Autarquia apresentou uma queixa em Tribunal, há já três anos, de uma pocilga na Mealhada que não cumpre as questões ambientais e que tem conhecimento que faz descargas diretas para o rio Cértima.

Um grupo de pessoas do movimento “SOS Rio Cértima / Pateira” esteve na Assembleia Municipal da Mealhada, na noite da passada quarta-feira, 25 de setembro, a alertar para “a poluição e descargas constantes”, bem como para “a falta de limpeza do leito e margens” existentes no rio Cértima. “Começámos a alertar para esta situação em 2017 e, desde essa altura, já morreram centenas de peixes devido à poluição existente”, declarou Vítor Cardoso Fernandes, residente em Barrô (Águeda), garantindo que “em julho de 2019 houve mais uma descarga e é notória a falta de oxigénio na água”.

O porta-voz do movimento disse ainda ter havido “um grito ‘mais alto’ junto das Câmaras de Águeda e Oliveira do Bairro”, tendo estas ficado “mais sensíveis” à situação, mas que, defende, “não adianta limpar a partir de Oliveira do Bairro se não limparmos Anadia e Mealhada”. “Não entendo porque as quatro Câmaras não se juntam e limpam tudo. O ambiente e os nossos filhos iam agradecer!”, concluiu.

Em resposta, Rui Marqueiro começou por dizer ter sido “com alguma surpresa” que viu “o Ministro do Ambiente se comprometer em ajudar Águeda e Oliveira do Bairro”, esquecendo-se de Anadia e Mealhada. O autarca defendeu ainda o Município que preside com a informação de que “a Mealhada está, neste momento, a construir a maior ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) da região”, num valor de três milhões de euros, que irá melhorar “imenso” os afluentes das descargas.

Para além disso, afirmou que a Câmara “tem uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro contra uma pocilga da Mealhada que não cumpre os mínimos nas questões ambientais”, garantindo ter tomado esta medida “depois de terem sido feitas queixas para a DRAP (Direção Regional de Agricultura e Pescas) Centro e Agência Portuguesa do Ambiente e nada ter sido feito”. “Esta pocilga tem vindo aumentar o número de animais – neste momento 2.500 – e, quando há uns tempos, pedi uma fiscalização por parte da GNR, soube que havia lá uma canalização direta para o rio”, explicou o presidente da Câmara da Mealhada, confessando “serem estas as dificuldades dos Municípios, onde muitas vezes as questões de limpeza provêm dos privados”.

“Já perdi a esperança de ver uma Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, APA ou um Ministério a fechar uma empresa. Colocam contraordenações que nunca levam a lado nenhum”, lamentou, afiançando que “o Município da Mealhada já teve a coragem de encerrar uma empresa” por não cumprir com as obrigações ambientais.

Sobre o tema, Marilisa Duarte, da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, quis saber “se a qualidade da água tem sido analisada”, respondendo Rui Marqueiro que “nenhum organismo do Estado remeteu para a Câmara nenhuma análise à qualidade da água do rio Cértima, nem de nenhum dos seus afluentes”.

E o assunto terminou com a apresentação de uma moção em “Defesa e Despoluição do Rio Cértima”, apresentada pelo Bloco de Esquerda, que foi aprovada por maioria.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura