Os proprietários de uma habitação, na Pedrulha, freguesia de Casal Comba, que se situa “colada” a uma empresa de fabrico de embalagens de madeira deslocaram-se à reunião pública da Câmara da Mealhada, lamentando o barulho, o pó e prejuízos que têm na sua residência, fruto da laboração da fábrica, que dizem “estar ilegal”. Da parte da empresa, a sua sócia-gerente, explicou, ao nosso jornal, que a entidade que avalia os níveis do som garante estar tudo “normal” e que já foram entregues na Autarquia “os papéis para a legalização”.

“É um barulho que não se suporta e que está agravar-se cada vez mais”, começou por dizer a proprietária da habitação, garantindo que “há mais de trinta anos não se consegue abrir uma janela”. “Se limpar uma divisão da casa e abrir uma janela, fica logo tudo sujo”, enfatizou.

Já o proprietário referiu que a situação se agravou “desde que houve a doença do nemátodo do pinheiro”, que obrigou “à utilização de produtos químicos”. Para além disso, refere, “as máquinas são cada vez mais”.

Mas a sócia-gerente da empresa, com quem falámos por telefone, garante que “a empresa de som já fez vários testes na fábrica” e que o ruído da laboração é sempre designado de “normal”. Para além disso, continua, “as máquinas de corte já não estão ao lado da habitação, mas por baixo de umas lonas que a empresa tem ao fundo do terreno”. “Eles queixam-se porque têm uma cúpula na rua, onde comem, e aí é normal que ouçam”, diz.

“Aquilo é tudo ilegal e provoca-nos problemas em casa: fissuras nas janelas e até lâmpadas que se fundem quando eles têm algumas máquinas a trabalhar”, continuou o proprietário, mostrando-se também preocupado pelo facto, “da empresa já ter sido alvo de quatro incêndios”. “Dois deles fui eu que alertei!”, acrescentou, lamentando que num incêndio, em agosto, as fagulhas estavam a cair para os seus anexos. “Aquilo é um perigo!”, lamentou.

“O que me entristece é que os meus filhos adoram Portugal e não vêm cá porque dizem que não conseguem descansar”, continuou a proprietária, garantindo que “no passado, a fábrica encerrava para férias”, mas que agora “está sempre a laborar”.

Mas acerca da legalidade da fábrica, a sócia-gerente disse, ao nosso jornal, que o processo está a decorrer, “com os papéis a terem sido entregues na Câmara Municipal há mais de um ano”, acrescentando também que têm uma multa a pagar “superior a cinco mil euros”. Há ainda, e segundo a proprietária da empresa, “um projeto para aprovação” que incide sobre a deslocação do pavilhão da fábrica “para outra parte do terreno”.

Sobre o assunto, e na reunião pública da Autarquia, Rui Marqueiro, seu presidente, informou, ao casal “queixoso”, que a situação está a ser avaliada e que a Câmara tem “a jurista a tratar das questões legais dos licenciamentos”, não descartando a hipótese de “numa próxima reunião se ditar o encerramento da fábrica”.

 

Mónica Sofia Lopes