O caso Semenya, que poderá alterar o futuro do atletismo e desporto feminino no mundo inteiro, deverá chegar a sua conclusão no dia 26 de março deste ano, segundo o TAS – Tribunal Arbitral do Desporto. Quem ama desporto, seja em qualquer modalidade, e quer ser um vencedor como teus atletas favoritos, aposta com as casas de apostas portuguesas.

Trata-se do pedido da atleta Caster Semenya que se opõe ao novo regulamento da IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo). Semenya, campeão sul-africana, busca invalidar as regras impostas contra atletas femininas que produzam mais testosteronas do que é considerado o padrão para mulheres.

 

SOBRE O JULGAMENTO

Na sexta-feira do dia 22 de fevereiro, o tribunal divulgou, em nota à imprensa, que “este caso pode ser considerado como um dos mais marcantes que o TAS já conheceu”.

Caberá ao tribunal decidir se será ou não admitido que o grau de concentração de testosterona no sangue de atletas femininas seja um critério válido para delimitar-se a fronteira entre o desporto feminino e o masculino.

 

SOBRE AS NOVAS REGRAS

As novas regras impostas pela IAAF buscam exigir que atletas “hiperandrógenas” – nome dado para mulheres que costumam produzir um nível de testosterona no sangue superior àquele considerado como o padrão – reduzam seus índices de testosterona no sangue utilizando-se de medicamentos, do contrário não poderão participar de provas internacionais de distância entre 400 metros e uma milha.

Em 2011 a IAAF passou a exigir que atletas femininas não tivessem uma concentração de testosterona superior a “10nmol/l” de sangue, obrigando que aquelas que o tivessem se submetessem a tratamentos hormonais, que poderiam até mesmo causar perda em seu desempenho. Em 2015 este limite foi retirado pelo TAS, por entender que não existiria base científica para o mesmo.

Atualmente, argumentando zelar por uma competição justa, a IAAF estabelece em suas regras uma concentração limite de 5nmol/l de sangue para a participação em provas de 400 metros a uma milha.

 

O CASO SEMENYA

Em 2009, no Mundial de Atletismo, o assunto sobre os limites de testosterona no sangue de atletas femininas a ser aceito foi trazido à tona após a vitória da atleta sul-africana Caste Semenya nos 800 metros. Muitas de suas concorrentes questionaram o gênero da atleta, ao ponto da Federação Internacional de Atletismo exigir que a atleta realizasse um exame de verificação sexual. O exame demonstrou que Semenya era uma mulher hiperandrógena.

Após o estabelecimento das novas regras, que diretamente lhe atinge, Semenya entrou com uma ação contra as mesmas. Em sua defesa a atleta afirma que militar os níveis de testosterona em atletas femininas é contra os direitos humanos. Caso venha a vencer sua ação, isso abrirá um precedente para tornar o cenário, de certa forma, imprevisível.

Através deste precedente, por exemplo, atletas transexuais poderão passar a exigir que o limite de “10nmol/l” estabelecido pelo Comité Olímpico Internacional deve ser eliminado, devido a sua natureza discriminatória para com as mesmas.