A cidade dos que vão, dos que vêm e dos que nunca saem dela. Ora vê-se os aviões a saírem, ora a entrarem, com aquele barulho que a população já não estranha ouvir. Há quem se sente a contemplar o céu com o movimento dos pássaros de ferro. Outros, mantêm-se em movimento sem dar atenção ao lindo céu e às aves guiadas pelos homens e às que se guiam a elas próprias, por força da natureza.

No Inverno sente-se e vê-se uma cidade a dormir sossegada num canto, que nenhuma multidão consegue despertar. Ouvem-se levemente os passos das pessoas a passarem de um lado para outro. Quando a temperatura diminui e o Sol se torna tímido, tudo fica melancólico. Durante a noite, os restaurantes do centro da cidade ficam praticamente vazios. Com menos turistas, a maior parte dos empregados sente-se triste, porque a capital algarvia só parece despertar quando chega o verão. Também os empregadores se sentem certamente menos contentes, pois o rendimento diário é muito inferior aos gastos. Com as regulares contas de eletricidade, água, gás e outras despesas extra, os proprietários dos espaços comerciais fazem um esforço adicional para manterem os seus negócios. Alguns optam por fechar as portas em época baixa e só voltar a abri-las quando a primavera regressa.

Todavia, apesar do pouco movimento que se nota na cidade neste período, ainda se encontram turistas de diversas nacionalidades, com gigantes mochilas às costas, à procura de um sítio onde possam descansar, na tranquilidade do sul da Europa, não fosse o Algarve uma das regiões com mais horas de Sol por ano no velho continente.

Seja no Inverno ou no Verão, a luz invade a alma dos visitantes, deixando os residentes inchados de orgulho por pertencerem a este cantinho à beira-mar plantado. Faro, entristece-se quando não vê o Sol. Tapa os olhos e mantém-se debaixo dos lençóis, sem sair de casa, até o Astro-rei lhe bater à porta. E quando ele chega, há os que correm e que se enrolam na areia das suas praias e se abraçam ao mar, dizendo simplesmente: – oh mar, não fiques triste, deixa acabar o inverno e mergulho-me em ti.

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL