A compra da Quinta do Murtal, na cidade da Mealhada (na urbanização junto ao Hospital e Centro de Saúde) está para breve, depois do executivo camarário mealhadense ter aprovado, na manhã de ontem, 12 de novembro, por maioria, a aquisição dos terrenos por dois milhões e trezentos mil euros, em pagamentos faseados. A proposta arrecadou os votos contra dos três vereadores da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, Hugo Silva, Sara Ferreira e Sónia Branquinho.

O tema não é novo e em julho passado já tinha sido analisado em reunião do executivo da Câmara da Mealhada. Na altura, a avaliação da autarquia era inferior à dos proprietários e não havia consenso no negócio. “Agora chegámos a um valor que as nossas avaliações (camarárias) também suportam”, referiu, na reunião de ontem, Rui Marqueiro, presidente da autarquia, adiantando que “na primeira avaliação, a família tinha usufruto da propriedade”, mas que nesta já não.

E o pagamento será faseado durante três anos, com as tranches a serem liquidadas no início de cada. Em 2019, um milhão de euros; em 2020, oitocentos mil euros; e em 2021, quinhentos mil euros.

Mas para a oposição, e nas palavras da vereadora Sónia Branquinho, a aquisição dos terrenos é “despropositada”. “Não se constroem casas pelo telhado e parece-nos que estamos perante uma decisão leviana, a da aquisição de um imóvel para ficar devoluto”, referiu, adiantando que “com esta gestão financeira não se poderá dormir descansado”.

E a vereadora continuou: “Porque razão terá que se adiar outros projetos para se financiar esta nova paixão? Este valor dava para intervenções, por exemplo, no Chalet Suisso, no Centro Juvenil de Ventosa do Bairro e no Teatro Avenida do Luso”.

Mas Rui Marqueiro garante que “a aquisição da Quinta do Murtal é perfeitamente possível nos cofres das finanças municipais”, enfatizando que “o Município tem condições financeiras para isso, mesmo com os contratempos que tem tido”. Para além disso, o edil adianta que a estratégia com esta compra “é a pensar num outro pólo da cidade da Mealhada, que fica ‘para lá’ da linha férrea”, onde junto ao Hospital pode vir a nascer um centro de acolhimento para doenças do foro neurológico (ver https://www.bairradainformacao.pt/2018/11/13/mealhada-pode-vir-a-ter-polo-de-saude-para-demencias/).

Para a Quinta dos Coutos, em concreto, o autarca não tem dúvidas que será o espaço ideal para o “Museu Costa Simões” e uma alternativa “de melhoria das acessibilidades para quem vive junto à linha”. Elogiando o seu espaço interior, Rui Marqueiro enaltece que pode também ser o indicado “para as cerimónias que o Município promove”.

E no rol de vantagens, o autarca acrescenta ainda que “a Câmara pode vir a viabilizar o loteamento, que esteve para ser construído junto à Quinta” e que, por incompatibilidades, nunca se resolveu, tornando-se “em mato”.

“Se o Município não adquirir espaços, também não pode levar a cabo políticas”, disse Rui Marqueiro, relembrando as valências “importantes” que existem junto ao espaço, tais como, Hospital, Mercado e zona desportiva.

Também a vereadora Arminda Martins refutou que, nestas situações, “é preciso perceber a oportunidade de negócio”. E Marqueiro acrescentou: “Esta aquisição não estava no programa (eleitoral), mas é uma oportunidade estratégica”.

Recordamos, que a Quinta do Murtal foi a habitação do Professor Doutor António Augusto da Costa Simões, até 1903, altura em que faleceu. Professor na Faculdade de Coimbra e Reitor da Universidade de Coimbra, “Costa Simões” foi o impulsionador da construção do edifício da Câmara da Mealhada, precursor da Misericórdia da Mealhada e fundador dos Banhos do Luso.

 

Mónica Sofia Lopes