Os efeitos da tempestade Leslie no concelho da Mealhada levaram a que a Câmara tivesse acionado o Plano Municipal de Emergência. Até à hora do almoço de hoje, terça-feira, a localidade do Travasso ainda não tinha energia elétrica e, na tarde de ontem, muito do trabalho das corporações da Mealhada e Pampilhosa passou por levar água a bombas de abastecimento de diversas localidades, que sem energia não a forneciam. No concelho de Anadia, os efeitos da tempestade também se fizeram sentir, tendo a corporação dos Bombeiros feito face, na madrugada de 14 de outubro, a trinta cortes de árvores e a vinte ocorrências estruturais, entre derrocadas de muros e quedas de chaminés.

Os avisos das entidades oficiais durante todo o dia de sábado, alarmaram Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, que cerca das 17 horas, mobilizou trinta funcionários municipais e ponderou cancelar a final do Campeonato Europeu de Seniores Feminino em hóquei em patins, uma partida entre as seleções portuguesa e espanhola, “por não ter dúvidas que o furacão ia passar no concelho da Mealhada”.

“Ainda durante a tarde procedemos ao corte de árvores, desentupimos locais de águas pluviais e procedemos a diversos avisos à população, com o apoio dos Bombeiros”, declarou o autarca, garantindo que quando se deu a tempestade se encontrava no quartel da Mealhada, mas que dada “a velocidade das rajadas de cento e oitenta quilómetros por hora não se podia fazer nenhum tipo de intervenção naquela altura”.

Com a cobertura do Pavilhão da Mealhada a ceder aos efeitos da tempestade e o Município sem energia eléctrica, o autarca ordenou a paragem imediata do jogo, tendo, no local, a Guarda Nacional Republicana proibido qualquer saída por parte das centenas de pessoas que ali se encontravam, por haver risco de acidente, com muitos artefactos pelo ar.

A partir das 23 horas do passado sábado, as corporações de Anadia, Mealhada e Pampilhosa não mais tiveram descanso. “Só na madrugada de domingo tivemos cinquenta ativações. Cerca de trinta em cortes de árvores, caídas em vias públicas e infraestruturas, e vinte estruturais, entre derrocadas de muros e quedas de chaminés”, declarou Bruno Almeida, comandante dos Bombeiros de Anadia.

A passagem da tempestade provocou ainda “um ferido grave, ainda hospitalizado”. “Um motociclista, que circulava no Itinerário Complementar 2 (junto à Gavicar), que foi projetado depois de lhe ter caído um cabo em cima”, referiu ainda Bruno Almeida, acrescentando que em Horta “numa passagem inferior à Autoestrada 1, um veículo ficou também trilhado”.

A colaborar com os Bombeiros de Anadia estiveram funcionários da Câmara, bem como maquinaria municipal. “Foi um fim-de-semana muito agitado com inúmeras dificuldades para resolver, onde para além da devastação de sinais e árvores, houve problemas em diversas infraestruturas”, declarou, num evento público que se realizou na manhã de ontem, Teresa Cardoso, presidente da autarquia anadiense.

Também os Bombeiros da Mealhada não tiveram mãos a medir. “Nessa noite, para além das inúmeras chamadas para cortes de árvores, tivemos um incêndio urbano na Vacariça, que iniciou em sobrantes, mas corria o risco de passar para uma habitação, e dois bombeiros feridos quando faziam transporte de INEM (Instituto Nacional da Emergência Médica)”, disse Nuno João, comandante dos Bombeiros da Mealhada, explicando que os operacionais “vinham de Coimbra, em serviço, e ao verem destroços no chão, na zona do Carqueijo, pararam na berma para os retirarem, mas um ramo embateu-lhes, tendo sido socorridos por outra ambulância que regressava”. “Uma das bombeiras ainda se encontra a fazer exames”, lamentou.

Ontem, durante todo o dia, os trabalhos continuavam, com os Bombeiros da Pampilhosa, por exemplo, “a procederem ao transporte de água para a rede pública e aviários”, na sua zona de intervenção.

 

Mónica Sofia Lopes