Demoramos muito tempo a sair da nossa zona de conforto, até que um dia decidimos não ser e fazer o que fazíamos antes e passamos a realizar tarefas que não pensávamos que chegaríamos a fazer.

Foram cinco anos de uma distância enorme. Distanciou-se até dela mas sem notar. Durante esse tempo todo, passou a fazer o que não fazia, abandonou os estudos e a cidade onde vivia antes, porque necessitava da sua independência, principalmente a financeira, a fim de ajudar a sua família, sobretudo a sua mãe.

Tudo se tornou novo para ela, longe de toda gente que conhecia antes, com rotina que nunca pensou alguma vez ter. Seguiu o seu caminho, sozinha e independente, sem amor senão o próprio e que às vezes nem sabia se realmente existia, mas que no fundo sentia.

Quando chegou ao Algarve, para trabalhar como empregada de mesa em vários hotéis, começou a conhecer pessoas de todas as espécies. Com isso, ela foi aprendendo e vincando cada vez mais a sua personalidade naquilo que tem a certeza de que é o correto. E sentiu a mudança, porque a realidade era diferente daquela que estava habituada, nunca mudando, contudo, a sua maneira de ser e de ver as coisas. “Podemos mudar de tudo mas nunca mudar de nós próprios”. Era o que acontecia com ela.

Chorava muitas vezes quando ficava sozinha em casa e na verdade sentia isso, afinal não conhecia ninguém senão os colegas de trabalho… que são simplesmente colegas. De perto não sentia mais ninguém senão ela própria.

Um dia a felicidade caiu-lhe em cima, a nova mudança se aproximava. Recebeu mensagem de uma pessoa que ela via como especial. Passou a perceber que o que lhe faltava estava a chegar e chegou. Depois de dois anos de namoro e muita confiança, decidiu abandonar tudo que fazia na cidade onde não conhecia ninguém.

De todos os sonhos nunca devemos deixar que o sonho de criança que há em nós morra, pois com trabalho, continuará a sorrir e os sonhos se concretizam. Ela tinha mudado porque necessitava de independência, principalmente a financeira. Agora, tudo mudou novamente, porque mudou por amor. Sentiu que o que doeu, deu um sabor autêntico depois da dor.

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL

 

Imagem: pixel2013 (pixabay.com)