O Município da Mealhada tentou adquirir os terrenos da Quinta do Murtal, na cidade da Mealhada (perto do Centro de Saúde), contudo, “face à diferença entre as avaliações da Câmara e a dos proprietários” o processo não avançou, pelo menos por agora. Quem o garantiu, ontem, foi Rui Marqueiro, presidente da autarquia mealhadense, em resposta à oposição que, pela segunda reunião consecutiva, questionou “as motivações da compra do espaço”.

“Que motivações levam a Câmara a adquirir um espaço no valor de dois milhões e tal de euros, mesmo que seja em pagamento faseado?”, começou por questionar Hugo Silva, da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, garantindo “ter havido interesse de uma grande superfície em adquirir este espaço” e que só não avançou porque a Câmara não autorizou.

Rui Marqueiro explicou que “a Quinta do Murtal tem uma localização privilegiada” e que daria “um espaço verde muito bom para quinhentas / seiscentas pessoas”. “Poderiam realizar-se ali muitas atividades e espetáculos. Por outro lado, seria ali que se faria a ‘Casa Costa Simões’”, acrescentou o edil, destacando a “centralidade” do local. “O seu partido defende a diversificação dos centros e é isso que estamos a fazer!”, enfatizou.

O autarca referiu ainda que “a mesma superfície comercial que ‘procurou’ a Quinta do Murtal está agora a analisar outro local, atrás do Cineteatro, junto ao Lidl”. “Foram várias as razões para o pedido ser indeferido naquele lugar”, acrescentou.

Já sobre a aquisição da Quinta do Murtal pelo Município, Rui Marqueiro explicou que a avaliação feita pela Câmara rondava os dois milhões e duzentos mil euros e a da família dois milhões e oitocentos mil euros. “Mas, para além disso, o valor que nos foi pedido ainda foi superior ao da avaliação”, acrescentou.

Também Adérito Duarte, da coligação, declarou: “O que me preocupa nesta opção não é em termos políticos, mas o facto de que a aquisição de mais património possa afetar a tesouraria da Câmara”.

Uma declaração que levou Rui Marqueiro a garantir: “Sou responsável pelas Finanças e, por isso, pode dormir descansado”.

A Quinta dos Coutos foi a habitação do Professor Doutor António Augusto da Costa Simões, até 1903, altura em que faleceu. Professor na Faculdade de Coimbra e Reitor da Universidade de Coimbra, “Costa Simões” foi o impulsionador da construção do edifício da Câmara da Mealhada, precursor da Misericórdia da Mealhada e fundador dos Banhos do Luso.

Pensão Astória, no Luso, pode vir a ser hotel de luxo

Na mesma reunião foi também dado conhecimento da realização de uma Assembleia Municipal extraordinária, devido a uma alteração de reabilitação urbana, que terá que ser feita, nomeadamente no Luso. “Há dois investidores a quererem adquirir imóveis na vila (o que levará a alteração na Área de Reabilitação Urbana): No local onde eram os CTT será para uma casa de habitação e na antiga Pensão Astória tudo indica que seja para alojamento de quartos de luxo com dimensões simpáticas”, explicou o autarca, indicando que a sessão de Assembleia poderá acontecer já na noite de 27 de julho.

 

Mónica Sofia Lopes