Chama-se Daniel Horta Nova “está” sem abrigo e tem uma história comum há de tantas outras pessoas. Residente no Porto, este homem de cinquenta e seis anos, “pernoitou” durante duas noites numas das artérias principais da cidade da Mealhada “munido” de cartazes, que despertaram a atenção de quem por ali passava como foi o caso do «Bairrada Informação».

Uma sociedade, que correu menos bem, “atirou” Daniel Horta Nova para as ruas da cidade do Porto, uma “luta”, que trava desde 2004. Formado em comunicação foi nesta área que fez grande parte do percurso profissional e que lhe dá agora também a força para dizer “basta de exclusão social”.

Uma expressão que lhe deu coragem de partir de bicicleta, a 8 de janeiro de 2017, do Porto, com a intenção de ser recebido na Assembleia da República para entregar um caderno com doze medidas de reinserção social que considera fundamentais para uma sociedade “sem exclusão social”. A chegada a Lisboa aconteceu a 6 de março e a receção foi feita por Maria João Ruela, assessora do Presidente da República Marcelo Rebelo Sousa.

“É importante ter sem abrigo em Portugal porque alimenta e engorda muita gente”

E foi já em abril, que conhecemos Daniel “de passagem pela Mealhada”. “Há sem abrigo em todo o lado. É importante ter sem abrigo em Portugal porque alimenta e engorda muita gente”, disse este homem, pouco tempo depois de “acordar” junto à Biblioteca Municipal da Mealhada, garantindo que “as Instituições Particulares de Solidariedade Social, em Portugal, não funcionam”. “É um pão que nos tira da rua?”, questionou retoricamente.

E por onde andou, Daniel Horta Nova diz que apenas teve “comida e dormida” numa Associação em Tega (Portalegre). “Se lá é possível também o será em todo o lado”, disse este homem que diz ter tido, em todo o país, apoio das corporações dos Bombeiros.

“Existem muitas pessoas boas na rua….está nas ruas portuguesas muita arte, muita cultura, ….”, garante este homem, que enfatiza que “ser sem abrigo não é ser toxicodependente”.

“São milhares de pessoas na rua e o ‘caderno’ que entreguei em Lisboa tem doze pontos de reflexão, que poderão tirá-los a todos da rua ou alguns deles se um ou dois pontos forem colocados em prática”, explicou-nos.

Para Daniel Horta Nova, a pior parte de se viver na rua “é a de se manter a saúde mental”. “Ninguém está na rua porque quer e, portanto, o fator principal que vai acontecendo, ao longo dos anos, é o da destruição mental”. “Temos medo, vergonha e humilhação”, afirma.

E garante: “Ninguém tenha medo de um sem abrigo à noite (como a sociedade faz crer)”. “‘Ele’ só quer dormir… e tem medo do dia, pois quando acorda é que é o problema: ‘E agora?’”, confessa-no este homem, autor de um livro designado de “Farrapos de Alma”.

E são as obras, uma vez que se prepara para publicar mais duas, que lhe vão dando algum dinheiro de sobrevivência. “Tenho família…, mas não é esta que me tem que tirar daqui. Quem me tem que tirar daqui é o sistema social!”, diz Daniel Horta Nova, garantindo que se refugia e esconde da família “para protegê-la”.

Academia Juvenil da CADES não ficou indiferente

Enquanto o «Bairrada Informação» tinha esta “conversa” com Daniel Horta Nova, jovens da Academia Juvenil da CADES – Cooperação Artística, Desportiva, EIMG_6529ducativa e Social – estavam a “cumprir” uma atividade do programa das Férias da Páscoa. Ao ler e ouvir o que este homem nos dizia, a indiferença não ficou de lado e “ofereceram” uma garrafa de água, para que pudesse seguir o percurso até ao norte…

Trabalho com Daniel Horta Nova apresentado em canal de televisão

Este fim de semana, dias 15 e 16 de abril, e segundo Daniel Horta Nova, o “Repórter TVI” apresentará, no Jornal das 8, um trabalho com este “sem abrigo”, que se prepara para lançar mais duas obras: “Felicidade, dinheiro ou liberdade?” e a autobiografia “Viver sem Vida”.