O presidente da direção dos Bombeiros da Mealhada demonstrou a sua preocupação, para com a corporação que dirige, ao executivo municipal da Mealhada. Em suma, Nuno Canilho fez um apelo à atualização do subsídio anual dado pela autarquia, bem como “lançou” o debate para uma possível “semi profissionalização” dos Bombeiros. Um “assunto” que Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, não consegue, para já, “ter uma opinião concreta”.
“A Câmara da Mealhada dá-nos oitenta e cinco mil euros por ano, mas sabemos que mais de metade são por obrigação da lei. Na prática, o valor concreto do subsídio para a corporação é de 38.950 euros, um valor que não é atualizado há quinze anos”, começou por dizer Nuno Canilho na reunião, que acrescentou ainda que do valor “obrigatório”, parte dele vai para as Equipas de Intervenção Permanente, “cujos subsídios também não são atualizados desde 2009”. “Isto gera desmotivação nas pessoas, nos bombeiros”, lamentou o dirigente.
“Há também uma pressão da Liga dos Bombeiros para que as corporações harmonizem a situação com as autarquias e isto também nos cria desconforto”, continuou Nuno Canilho, lançando o repto: “Temos que pensar na semi-profissionalização dos Bombeiros pois já não conseguimos dar assistência às pessoas apenas com o voluntariado”.
“No mês de dezembro chegámos a ter 13 saídas de INEM por dia, 4 ao mesmo tempo”
“As duas EIP que existem – das corporações da Mealhada e da Pampilhosa – funcionam das 9h às 17 horas. E não é por acaso que é no período das 17h 01m às 21h 30m (altura em que chegam os sete voluntários que dormem no quartel para assegurar o período noturno) que a sirene mais toca porque é precisamente quando não temos praticamente ninguém no socorro”, explicou o presidente da direção da Associação Humanitária da Mealhada.
“No mês de dezembro chegámos a ter treze saídas de INEM por dia, quatro ao mesmo tempo. Como é que se consegue gerir este trabalho com voluntariado? A situação piora se pensarmos que muitos dos voluntários têm os seus empregos e não podem estar sempre a ser dispensados”, disse ainda.
Fundos europeus apoiam obras no Quartel em 266 mil euros
Outra das situações que preocupa Nuno Canilho é a necessidade de valor monetário para fazer face a despesas extra que vão tendo, como foi o caso de uma viatura adquirida, no final de 2016, que teve um custo de vinte e seis mil euros e a única ajuda dada foi de quinhentos euros por parte da Junta da União de Freguesias da Mealhada, Ventosa do Bairro e Antes.
Também as obras de recuperação no edifício operacional do quartel, no valor de quatrocentos e cinquenta e seis mil euros, são motivo de preocupação. Estão elegíveis trezentos e treze mil euros de verba dos fundos europeus, mas somente duzentos e sessenta e seis mil estão aprovados, neste momento. “A Câmara dará o restante até aos trezentos e treze, ou seja sessenta e cinco mil euros, mas mesmo assim a corporação ainda terá que arranjar cento e vinte e cinco mil euros através de peditórios, ajuda de empresários, etc.”, garante Nuno Canilho, que espera que a obra “tenha início ainda em 2017” e que tenha a duração de cerca de um ano.
“CHUC deve 25.500 euros aos Bombeiros da Mealhada”, garante Nuno Canilho
Nuno Canilho quis ainda que a edilidade tomasse conhecimento de que “para subsistirem, os Bombeiros têm que fazer ‘serviço de táxi’ para os utentes e assim receberem do Ministério da Saúde uma verba mensal”. “Mas isto, para além de nos tirar tempo para outras situações, está a ficar desesperante, uma vez que o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra está em dívida para com a corporação da Mealhada desde maio de 2016. Estamos a falar de 25.500 euros», enfatizou.
Ao «Bairrada Informação», Rui Marqueiro garante que “o desafio pela frente é grande”, mas que “a Câmara não pode estar constantemente a atribuir subsídios às associações”. “Certamente que iremos ajudar a corporação da Mealhada e apelar à da Pampilhosa que faça um pedido idêntico quando fizer obras no quartel”, disse o edil.























