O executivo municipal de Anadia aprovou, por maioria, as normas específicas do Concurso Municipal de Ideias de Negócio nas Escolas 2026 designado de «Anadia Challenge». Para já o projeto será destinado aos alunos do 12.º ano do Agrupamento de Escolas de Anadia e da Escola Profissional de Viticultura e Enologia, com um máximo de três propostas por escola.

«O conceito que pretendemos é ir para além dos 12.º anos e chegar a outros anos, deixando às crianças e jovens esta vontade de empreender», referiu Cristina Azevedo, vereadora da Autarquia de Anadia com o pelouro do Empreendedorismo e Inovação, acrescentando que «eventualmente, em janeiro começaremos a trabalhar no primeiro ciclo».

A apresentação das ideias será realizada a 19 de maio do próximo ano, no Cineteatro de Anadia e poderá haver hipótese da concretização de algumas delas.

Ana Matias, vereadora eleita pelo Partido Socialista, referiu não acompanhar favoravelmente a proposta, declarando «não conseguir entender como é que no Orçamento, esta iniciativa está alocada à gestão corrente de famílias», assim como defendeu que «não se pode confundir criatividade com a sua capacidade de gerar poder económico ou de negócio». «É uma abordagem redutora e desajustada do que é o objetivo educativo. A escola deve pensar nos jovens para a vida, para na cidadania e não só para o mercado de trabalho ou do negócio», disse ainda, enfatizando não acompanhar «esta abordagem isolada na sua conceção global. Considero uma iniciativa redutora».

Jorge Sampaio, presidente do Município de Anadia, afirmou que «dentro do projeto global do empreendedorismo esta é uma das iniciativas». «Isto não é uma medida desgarrada», declarou, defendendo que «o empreendedorismo tem que ser trabalhado também nas escolas, sabendo que nem todas as ideias vão gerar negócio. Queremos que os nossos alunos sejam competitivos e olhem para o mundo global, desta forma, preparados para o futuro». «Se conseguirmos que tenham noção que as coisas na vida têm que ser conquistadas e não caiem do céu já valeu a pena», reiterou.

Cristina Azevedo corroborou, explicando ainda que «o executivo tem muita vontade de trabalhar esta área do desenvolvimento económico e do empreendedorismo». «Isto será feito em colaboração com as escolas, que sentem também esta necessidade de estimular o pensamento crítico e colocar os jovens a pensarem também na literacia financeira», disse a vereadora, recordando que «o Educar para o Empreendedorismo irá incidir também no primeiro, segundo e terceiro ciclos». «O objetivo é trabalhar com as escolas e fazer algo bom para e pelos alunos», rematou.

Também o vereador José Manuel Carvalho alegou que «o incentivo ao empreendedorismo é uma orientação da própria União Europeia».

Da bancada da oposição, também José Carlos Menezes, do Chega, sugeriu que «o júri possa ser constituído por empresários de vários setores, do concelho e de fora dele».

A proposta municipal foi aprovada com a abstenção da vereadora socialista Ana Matias.

 

Mónica Sofia Lopes