Os temas da água, saneamento e da limpeza urbana estiveram na ordem do dia, em Luso, no colóquio comemorativo das quatro décadas da empresa mealhadense de comércio de máquinas de limpeza, Certoma. João Manuel Esteves, secretário de Estado do Ambiente, divulgou a estratégia do Governo «Terra Mais», que pretende «gerar menos desperdício, menos aterro e mais valorização, transformando os resíduos em riqueza».
Cláudio de Jesus, presidente das Águas Tejo Atlântico, que participou no painel – «A Cidade que não se vê – Águas e Saneamento», começou por dizer que «a reutilização da água tratada pode ter usos urbanos, usos industriais, usos agrícolas e biosólidos», avançando que na área que a empresa abrange, no ano passado, «foram tratados de 233 mil metros cúbicos de águas residuais, produzidos 3,1 mil metros cúbicos de água + para usos não potáveis e gerados 23,5% de autossuficiência energética». «Queremos também a valorização das biolamas e tratar mais de 160 mil toneladas, uma vez que os nutrientes azoto e fósforo já se podem tirar das lamas». Como consequência destas medidas, Cláudio de Jesus garante que os resultados se traduzem «em ecossistemas que revivem, golfinhos que voltam ao Tejo e peixes nativos que voltam às ribeiras». «Para o território, a “Água +” (água residual tratada) tem valor para a lavagem de ruas, para a climatização do IKEA de Loures e, por exemplo, para a rega do Parque das Nações», destacou ainda.
Manuel Aranha, vice-presidente das Águas e Energia do Porto, afirmou que «debaixo dos nossos pés, existe outra cidade», um lado invisível que «só aparece quando há ruturas, inundações ou colapsos», garantindo que «quando este invisível aparece, a prontidão faz a diferença e, por isso, as equipas não podem parar». Contudo, para o dirigente «a melhor intervenção é a que se consegue evitar», declarando que a empresa «vai investir até 2030, 65 milhões de euros na reabilitação das redes; e preparar equipamentos e sistemas alternativos para o futuro». «É preciso apostar na monetarização real e na deteção de fugas de água, num projeto que vamos implementar com a InnoWave», disse, exemplificando que, no território que gere, existem 37 mil sarjetas e que o trabalho de planeamento da limpeza era feito por uma pessoa semanalmente: «Hoje temos um agente de Inteligência Artificial que em três minutos faz o planeamento do dia seguinte e define inclusivamente a melhor rota para se limpar o maior número de sarjetas, tendo em conta critérios como a localização de árvores e onde estão a decorrer obras».
Joaquim Baptista, presidente das Águas da Região de Aveiro, empresa que gere dez municípios e um total de 7.200 quilómetros de redes, declarou que «a generalidade dos cidadãos, num julgamento social, acha que paga mais pelo o que valem os nossos serviços, desvalorizando-o. Exemplo disso, é vermos cidadãos que fazem quilómetros, com o custo da pegada ecológica associada a isso, para ir a fontes buscar água, quando a qualidade da nossa água não é sequer discutível, a água é potável e ponto. Estamos a falar de saúde pública e a tarifa tem que corresponder de forma justa ao custo do serviço».
O secretário de Estado do Ambiente referiu que «as pessoas da limpeza de um concelho são o rosto da sua Autarquia», declarando que o Ministério do Ambiente e da Energia está a investir três mil milhões de euros para prevenir as perdas e que, no que toca à energia, de janeiro a agosto deste ano, «75% da sua produção foi feita a partir de fontes renováveis». «Na economia circular e gestão de resíduos o que se pretende é prolongar a vida dos produtos com mais prevenção, mais recolha seletiva e modernização tecnológica, com uma previsão de investimento de 2.300 milhões de euros. Queremos transformar os resíduos em riqueza e haverá apoios financeiros nesta área. Aos Municípios e CIM caberá apresentar as respostas adequadas para cada concelho».





























