Durante tarde desta quarta-feira, 23 de setembro, já perto de 400 pessoas tinham assinado a petição «Pela Instalação Urgente de Sistemas de Climatização/Ventilação na Escola n.º2 da Mealhada», em que exigem «uma intervenção urgente relativamente às degradantes condições térmicas e de qualidade do ar no interior das salas de aula após as recentes obras de remodelação». Após visita ao local, da Autarquia e do Itecons, foi detetada a possibilidade de a abertura das janelas não estar a ser feita de forma correta.
«Atualmente, as salas de aula sofrem de uma total ausência de ventilação adequada, criando um “efeito de estufa” insustentável. Esta situação agravou-se severamente com a subida das temperaturas, tornando o ambiente interior propício ao adoecimento físico dos alunos», lê-se na petição, que acrescenta ainda que «as consequências diretas desta falha estrutural já se fazem sentir diariamente nas crianças e jovens, como casos recorrentes de desidratação e picos de calor extremo; queixas diárias e generalizadas de dores de cabeça intensas; e cansaço extremo e letargia, impossibilitando a concentração».
Para os subscritores do documento «não é aceitável que uma intervenção de obras resulte na perda de qualidade de vida e habitabilidade das salas de aula» e «exigem que as entidades competentes tomem medidas imediatas para a instalação urgente de sistemas de ar condicionado ou de climatização/ventilação mecânica, adequados, nas salas afetadas; promovam uma auditoria imediata às obras realizadas para corrigir os erros de isolamento e falta de circulação de ar; e implementem soluções provisórias de mitigação do problema como ventiladores industriais ou cedência de espaços alternativos climatizados».
Na sua página do Facebook, também a Associação de Pais e dos Encarregados Educação da Mealhada se manifestou sobre a situação, explicando que «ainda em período de férias visitou a EB2 da Mealhada, já após as obras terminarem, verificando algumas situações que careciam de atenção urgente, o que comunicamos de imediato às entidades competentes», destacando «o problema da luminosidade das salas, em que se verificou que várias salas necessitavam de ajustes na programação das luzes, mas mais preocupante a situação do desconforto térmico nas salas de aula, principalmente nas salas superiores, em que o calor que se fazia sentir era imenso».
Recordamos que a requalificação desta escola – obra concluída recentemente – foi adjudicada por 4.419.515,30 euros, em dezembro de 2024, tendo como base precisamente «a melhoria da eficiência energética e do conforto térmico dos utilizadores, mas prevendo ainda uma beneficiação das condições de acessibilidade e do parque edificado, com a ampliação da área exterior coberta e a criação de um novo espaço destinado a sala de convívio. A intervenção abrangeu os blocos de aulas, o refeitório, o pavilhão, a portaria, a oficina e os telheiros e os trabalhos foram desde a iluminação às redes de fornecimento de água e drenagem de águas residuais e pluviais, dos tetos aos pisos, do reforço de estruturas à ventilação e climatização.
O presidente da Autarquia da Mealhada, após reunião no edifício com técnicos do instituto de investigação Itecons da Universidade de Coimbra, entidade que fez o projeto e o certificou, explica que a obra foi feita para que haja ventilação natural, existindo janelas normais e por cima dessas as basculantes que têm que ser abertas, porque se não acumulam muito calor. «A ideia é que sejam abertas de noite e fechadas durante o dia, o que não estava a acontecer (até ontem)», explicou António Jorge Franco, enfatizando que «vai ser mudada a forma de utilização e esperemos efetivamente que resolva o problema».
Mónica Sofia Lopes






















