O Município da Mealhada inaugurou o seu Roteiro de Arte Urbana, que conta com a passagem por dez obras artísticas, de oito artistas e jovens alunos de escolas do concelho, num percurso de pouco mais de dois quilómetros e duração de aproximadamente quarenta minutos. A iniciativa, segundo o setor de turismo da Autarquia da Mealhada, «convida a comunidade e quem nos visita a descobrir esta cidade sob mais um novo prisma, o da criatividade, de cor e das múltiplas formas de expressão artística».

O roteiro tem início no Mural do Peregrino, que se situa no Albergue em Sernadelo e que foi concebido este ano, pela autoria de Ricardo Henriques, «num tributo a todos os peregrinos que caminham rumo a Santiago de Compostela». Na ausência do artista foi Nuno Canilho, proprietário do Albergue, que explicou a obra que demonstra «o planeamento da peregrinação, a caminhada, a passagem pelos locais para carimbar o passaporte e finalmente o destino de Santiago de Compostela». «É um muro de grandes dimensões, num sítio privilegiado. Aos olhos do peregrino é um elemento de familiaridade que estabelece uma relação de empatia, mas na verdade também o foi para a comunidade, que olha e contempla a obra», declarou, manifestando que foi «muito estimulante o “feedback” que tivemos da população que admirou a beleza desta pintura e gosta muito do que foi feito. Para o peregrino, que ao longo do caminho procura sempre sinais, recebemos muitos elogios e através de inteligência artificial conseguimos fazer uma brincadeira em vídeo com a última imagem do mural e uma fotografia do caminhante».

De Sernadelo, o roteiro segue para o Mural da Igualdade (da autoria da turma do 11.º ano de Multimédia da EPVL do ano letivo 2023/2024), para o Forno Comunitário (de Miriam Quinteiro e Graça Lopes Abrantes), Mural da Biodiversidade (de Ricardo Henriques com colaboração de jovens da Brigada AltAmbiente), Conjunto Megalítico (de Armando Martinez), Monumento da Revolta da Mealhada (de Paulo Júlio Costa) e Monumento ao Assador do Leitão (de António Duque), todos estes no Parque da Cidade ou na sua envolvência. Daqui, o percurso passa pelos Estúpidos (de Robert Panda) e Pica Pau e Liberdade (de Bordalo II), os três situados no centro da cidade da Mealhada.

«Cada obra conta uma história, traduz uma perspetiva e dá voz a um artista, contribuindo para enriquecer a paisagem e reforçar a identidade cultural do concelho. Mais do que um percurso pelas obras, pretende ser um convite à descoberta, à fruição da arte e à aproximação entre os artistas, a comunidade e o espaço que partilhamos», declarou Joaquim Correia, chefe do setor de Turismo da Câmara da Mealhada, ansiando que o roteiro «seja usufruído como espaço de passeio, conversa, sirva para ouvir música ou até encontrar amigos».

«Ao percorrer este roteiro descobrimos particularidades das nossas ruas e, por isso, estas intervenções apelam e desafiam a comunidade a sair à rua, onde se convive e reflete de maneira diferente», corroborou Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia, acrescentando que «o desafio é tornar o espaço público mais atrativo e que nos faça parar e pensar em cada uma das obras».

 

Mónica Sofia Lopes