Finalmente as condições climáticas permitiram que o Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada, na cidade da Mealhada, tenha saído à rua, depois de dois corsos cancelados devido às previsões de chuva. Ontem as quatro escolas de samba conseguiram levar para a avenida os seus enredos e mostrar o trabalho de meses perante milhares de pessoas que a organização estima que tenha sido superior a cinco mil pessoas. Às 19h00, ainda as principais ruas da cidade estavam repletas de público que não quiseram deixar de ver o rei do evento, o artista e apresentador João Baião.

«O dia de hoje valeu pelos restantes corsos que não conseguimos realizar», disse, ao nosso jornal, Márcio Freixo, presidente da direção da Associação do Carnaval da Bairrada, congratulando «as escolas por estarem bem organizadas e com muita alegria». «O desfile começou a horas e tivemos muita gente. Pelo menos cinco mil pessoas estiveram no recinto», afirmou, não avançando, contudo, com qualquer balanço financeiro, pelo facto de não terem tido receita de dois dos três desfiles previstos. «Teremos que apurar os resultados, mesmo para aqueles dias em que não tivemos corsos, mas há despesas fixas a pagar», explicou, garantindo que «a noite de segunda-feira, na Tenda e nas ruas da Mealhada, foi excecional».

Coube a João Baião o papel de rei ao lado das Miss Bairrada, Luísa Santos e Rubi Marinho. «João Baião foi uma aposta ganha no nosso Carnaval e isso vê-se pela quantidade de pessoas que ainda temos no recinto às 19h00, esperando para o ver», declarou ainda o dirigente.

De Águeda, veio Isaura Ferreira, que ontem completava 21 anos e quis festejar na Mealhada só por causa de João Baião». «Sempre que vai ao Centro de Artes em Águeda eu vou ver os seus espetáculos. Hoje não podia deixar de vir aqui, com a minha família, dar-lhe um beijo no meu dia de anos», referiu a jovem, depois de ter subido ao carro dos reis, onde milhares de pessoas ficaram a saber do seu aniversário.

Com o cancelamento do Carnaval na Figueira da Foz, foi fácil encontrar bastantes elementos de escolas da cidade figueirense. «Estamos sem Carnaval e viemos ver os nossos amigos das escolas da Mealhada. Estamos a gostar muito», disse, a meio do corso, Marion Pereira. Palavras corroboradas por um elemento da escola de samba Rainha, que garantiu que a agremiação «vem sempre à Mealhada ao desfile noturno de segunda-feira, por estar impossibilitado de vir nos desfiles diurnos, que calham nos mesmos dias dos nossos. Este ano foi diferente e quisemos vir ver os nossos amigos».

Ao início do corso, cerca das 15h00, o recinto estava cheio e as filas nas bilheteiras eram enormes. «Finalmente o sol apareceu e temos estes grupos fantásticos a fazerem aquilo que mais gostam que é Carnaval», referiu António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, desvendando «ter visto muitas pessoas a chorar por não terem saído à rua». «Hoje aqui estão para mostrar o trabalho, a dedicação, o amor ao concelho e o amor ao Carnaval. Um autêntico serviço público que fazem. Muito obrigado por isso», enfatizou o edil. Já Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia da Mealhada, falou num «espetáculo muito bonito, colorido e cheio de vida». «É assim que gostamos de ver e queremos sempre ter a nossa cidade», enalteceu a autarca.

Ontem, a tarde foi de avaliação para as quatro escolas de samba – Amigos da Tijuca, Batuque, Real Imperatriz e Sócios da Mangueira – por um painel de 15 jurados, «todos de fora do concelho e sem ligações às escolas», disse Márcio Freixo, informando que «a divulgação dos resultados tudo indica que aconteça na noite deste sábado, na Tenda, numa festa em que estarão todas as escolas. No mesmo dia, mas à tarde, as ruas da cidade voltarão a encher-se para o Carnaval de Palmo e Meio. As entradas são gratuitas.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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