A Assembleia Municipal da Mealhada aprovou, por maioria, com a abstenção do Partido Socialista, o Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2026, num montante global de 33,3 milhões de euros, garantindo a Autarquia ser «o maior de sempre apresentado pelo Município». Para a oposição «há ausência de políticas públicas no que toca à habitação», falta de medidas ligadas à juventude e questionou ainda alguns edifícios públicos que estão «ao abandono», justificando assim a sua abstenção, um sentido de voto posicionado também pelos vereadores do executivo que afirmaram «ter respeito institucional por quem venceu as eleições e tem o seu programa a cumprir». Com assento na assembleia municipal estão também o Chega e o PSD que votaram favoravelmente o orçamento do Movimento Independente Mais e Melhor.
Uma das grandes fatias do orçamento é destinada à saúde, com obras de requalificação na unidade da Mealhada, num investimento de 2,4 milhões de euros, para a Pampilhosa 763 mil euros, 656 mil euros para Vacariça e 65 mil euros para o Luso. Nas restantes obras mais avultadas estão a Escola Básica 2 da Mealhada com 2,2 milhões de euros, a expansão da Zona Industrial da Pedrulha cerca de dois milhões de euros, pavimentações por todo o concelho num investimento de quase um milhão de euros e para a Estratégia Local de Habitação prevê-se 1,5 milhões de euros.
A requalificação da Baixa da Pampilhosa tem uma dotação de um milhão de euros, a zona central da Antes de 812 mil euros e Barcouço com 600 mil euros. Para o novo edifício municipal está previsto um milhão de euros e a disponibilização de 478 mil euros para o Centro de Recolha Oficial de Animais. Nas transferências para as Juntas de Freguesia, a proposta do Orçamento aponta um aumento de cinco por cento para o próximo ano.
Da bancada do PS, Joana Sá Pereira questionou o aumento com despesas de pessoal, que passa de oito milhões para nove em 2026, lamentando «a ausência de políticas públicas de habitação a custos acessíveis», bem como o valor que é transferido para as Juntas. «Quando se fala em investimento, fala-se nas onze casas projetadas com as habitações na Póvoa da Mealhada e na Pedrulha, que contam com financiamento do PRR», continuou a deputada, acrescentando que «em Vagos planeia-se a construção de 40 habitações, algumas com recursos ao Banco Europeu de Investimento». Por outro lado, diz, «não encontramos nenhuma rubrica de apoio ao arrendamento e empreendedorismo jovem». Gil Ferreira confrontou o executivo com algumas linhas do programa eleitoral que, na sua opinião, «não estão espelhadas nos documentos previsionais», dando como exemplo, entre outros, o Challet Suisso e os edifícios do IVV.
Em resposta, António Jorge Franco, presidente da Autarquia, referiu que, quando chegou à Câmara, «logo no primeiro ano houve um aumento de 18% para as freguesias, seguindo-se 4% nos posteriores e em 2026 até temos uma subida em 5%». Sobre os custos com o pessoal, o edil recordou que «grande parte deste valor é com funcionários das escolas e da saúde, assim como tivemos que reforçar as equipas de recolha do Porta a porta».
O autarca disse ainda que para o IVV «há uma ideia muito virada para a cultura e a educação» e para o Challet Suisso «a pretensão é que entre na rede nacional do Museu Ferroviário, que conte a história da Pampilhosa e da ferrovia nacional». Sobre as Garagens do Palace do Bussaco, questão levantada por Nuno Canilho, eleito pelo PS, o edil declarou «estar disponível para ser parceiro da administração central».
Andre Melo, do Mais e Melhor, alertou para não se fazer o que o Município de Vagos fez: «Vai fazer casas, mas vai aumentar o Imposto Municipal sobre Imóveis».
PSD Mealhada posiciona-se através de email à comunicação social
Apesar de terem assento na assembleia municipal da Mealhada, os dois deputados eleitos pelo PSD não se pronunciaram neste órgão sobre o orçamento para 2026, tendo, mesmo antes deste sido aprovado em reunião do executivo, enviado para a comunicação social, um conjunto de medidas sugeridas em audição ao abrigo do Estatuto do Direito de Oposição.
«Rubrica orçamental específica para obras de conservação dos equipamentos desportivos; construção de uma piscina municipal no Parque da Cidade; criação de uma Linha de Apoio Psicológico Municipal, acessível 24 horas e do programa “Psicólogo na Freguesia”; promover programas municipais de reabilitação domiciliária destinado a agregados familiares carenciados, de Apoio ao Arrendamento Jovem e de alojamento acessível para Trabalhadores Essenciais deslocados; transferência integral da organização do Carnaval da Mealhada para a Câmara; dinamização da Casa Municipal da Juventude e da Criatividade (Ventosa do Bairro); e publicação trimestral do grau de execução orçamental por rubrica e dos indicadores de desempenho» foram algumas das propostas sugeridas, entre muitas outras patentes num extenso documento, remetido ao nosso jornal por Paulo da Silva, da Comissão Política na Mealhada do PSD.
Mónica Sofia Lopes





















