Uma estratégia para fogo controlado, face aos riscos de incêndios rurais e às alterações climáticas, é a pretensão, para os próximos anos, da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, num processo perfeitamente alinhado com as intenções do Governo, segundo o secretário de Estado das Florestas, que ontem esteve na Mealhada. Um dos pontos altos da cerimónia foi a entrega de equipamentos mecânicos a cinco Municípios e à CIM.
«Pretendemos aumentar e intensificar aquilo que são as áreas de fogo controlado, uma necessidade identificada em 2020, num trabalho conjunto com Escola Agrária de Coimbra, e que conseguimos colocar no terreno de 2021 a 2025», referiu Jorge Brito, secretário executivo da CIM Região de Coimbra, explicando que o processo teve constrangimentos, nomeadamente, no que toca «às condições meteorológicas e às burocracias», mas no final «ganhamos cum conjunto de experiências».
E é a partir daqui que nasce o Plano Intermunicipal de Fogo Controlado, para 2026-2030, que integra, entre outros, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Escola Agrária de Coimbra e os dezanove municípios que integram a CIM de Coimbra. «O nosso objetivo é intervencionar cerca de dois mil hectares, essencialmente de mato, mas o que pretendemos no futuro é duplicar e triplicar este número».
Rui Ladeira, secretário de Estado das Florestas, referiu que os números de hectares de fogo controlado, nos últimos oito anos, a nível nacional «têm de subir consideravelmente. Esta CIM está alinhada com isto, em proteger aldeias e matos e parabenizo-vos por isso». «É preciso alertar, contudo, que o trabalho concertado não tem resultados imediatos. Nós queremos que os fogos sejam previsíveis e controlados, mas sabemos que os incêndios ocorrerão sempre», alertou.
O representante do Governo falou ainda de uma outra medida que está pensada para a região Centro que foca «a redução de combustíveis». «Os Ministérios da Agricultura e do Ambiente querem aprofundar as condições e estabilidade para apoiar quem trabalha na floresta e na agricultura», disse Rui Ladeira.
A sessão contou com a entrega de equipamentos aos Municípios de Oliveira do Hospital, Condeixa a Nova, Montemor o Velho, Mealhada e Penela e ainda à CIM Região de Coimbra. Paulo Farinha, diretor regional do Centro do ICNF, referiu que a maquinaria entregue «é uma responsabilidade de partilha, numa estratégia que não se esgota em equipamentos. Investir na prevenção é investir na salvaguarda de vidas, de territórios e de ecossistemas».
Palavras corroboradas por Helena Teodósio, presidente da CIM Região de Coimbra, que referiu que a nova maquinaria «traduz a boa empregabilidade do dinheiro público e um compromisso com a segurança das populações, até porque a prevenção se faz todos os dias.
Luís Paulo Pita, do ICNF, afirmou que a Região de Coimbra «terá quase três milhões de euros para execução de rede primária nas ações de prevenção 2025-2026», recordando que esta CIM tem 38 equipas de sapadores e 185 sapadores florestais.
Do Município anfitrião, Mealhada, António Jorge Franco corroborou que «as alterações climáticas, a desertificação do interior e o facto de as pessoas não trabalharem a floresta e os campos potenciam a que aconteçam incêndios florestais». O autarca destacou que «na Mealhada, se tem procedido à limpeza de 219 hectares de faixas de combustível, reforçado a estratégia de prevenção e queremos aumentar o número de Aldeias Seguras».
Mónica Sofia Lopes






























