A Câmara da Mealhada, a Administração do Porto de Aveiro e a Administração do Porto da Figueira da Foz estão no terreno, há já alguns meses, “com o estudo dos modelos de negócio e de exploração da Plataforma Logística da Pampilhosa (PLP), comprometendo-se a apresentar o estudo prévio para esta estrutura já em março do próximo ano”.
O Município da Mealhada e as administrações dos portos reuniram, no passado mês de novembro, para dar arranque aos estudos e calendarizar as ações a levar a cabo em todo o processo, conhecidas que são as novas orientações da União Europeia para o desenvolvimento da Rede Transeuropeia de Transportes, que colocam a Plataforma Logística da Pampilhosa como Terminal Rodoferroviário Principal neste conjunto de infraestruturas e de gestão de transportes.
“Esta vontade conjunta de reforçar a conectividade ferroviária com os portos e criar uma infraestrutura logística de qualidade na região Centro, levaram estas entidades a lançar o concurso para a elaboração deste estudo para a futura Plataforma, que será um dos equipamentos classificados como principais no país em matéria de distribuição e transporte de mercadorias. Esta decisão está devidamente expressa no Regulamento n.º 2024/1679 do Parlamento Europeu e do Conselho de 13 de junho de 2024, relativo às novas orientações da União Europeia (UE) para o desenvolvimento da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T), revogando a anterior decisão nesta matéria”, lê-se num comunicado da Autarquia, que acrescenta que “os trabalhos para o estudo, que já estão no terreno, integram a definição do modelo operacional da PLP, identificação e análise de benchmarking das plataformas logísticas ibéricas, estudo de mercado da PLP, proposta de estudo prévio, identificação e caraterização das infraestruturas e superestruturas a construir, definição do modelo de exploração, opções de financiamento e elaboração de estudos de viabilidade económico-financeira, entre outros. O processo deverá estar concluído em maio do próximo ano”.
A construção de uma zona industrial contígua à plataforma, a criação de um porto seco (estação aduaneira) e a possibilidade de expansão para Coimbra Norte são algumas das opções a ter em conta nos estudos a serem feitos com “stakeholders” desta futura solução logística no concelho da Mealhada.
“Este projeto já se arrastava há muitos anos, sofreu várias alterações, mas de há dois anos a esta parte começou a ganhar força e uma nova dimensão. À nossa insistência juntaram-se agora as novas orientações da União Europeia e a vontade dos Portos de Aveiro e da Figueira da Foz para trilharem este projeto connosco”, refere António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, apontando que “esta oportunidade é única para fazer vingar este projeto, colocando-o na agenda local, nacional e da Europa”.
O autarca lembra que a PLP “encaixa-se perfeitamente nas metas da União Europeia quanto à redução das emissões líquidas de gases com efeito de estufa” e defende que “é vital para atingir essa meta a criação de portos secos, que privilegiam o transporte ferroviário, tirando o transporte de mercadorias das nossas estradas”.
Eduardo Feio, presidente do conselho de Administração do Porto de Aveiro e do Porto da Figueira da Foz, reconhece o papel da Plataforma Logística da Pampilhosa como “fundamental para os dois portos, na perspetiva de aumento do seu ´hinterland’, permitindo aumentar os serviços portuários e logísticos em toda a região Centro e potenciar a nossa posição em termos ibéricos”.
Por outro lado, continua aquele responsável, “é fundamental também para cumprir os desígnios europeus na transferência modal do transporte rodoviário para ferroviário, contribuindo para a descarbonização, tonando-nos mais eficientes sem pôr em causa o sucesso da nossa economia”.
Segundo a Câmara da Mealhada “importa referir que no quadro da infraestrutura de transportes e aplicações telemáticas, bem como as medidas destinadas a promover a gestão e utilização eficientes dessa infraestrutura, o concelho da Mealhada, através daquela estrutura da Pampilhosa, faz parte do Corredor Atlântico da Rede Principal (core network), a concluir até 2030, com um total de nove corredores em toda a Europa”.
“Este corredor logístico terá tanto mais impacto, quanto maior for”
Já em outubro passado, numa sessão do executivo camarário, em resposta a algumas questões da oposição sobre o entendimento com o Município de Coimbra, nesta matéria, António Jorge Franco afirmou que a Plataforma Logística é da Pampilhosa poderia “vir a estender-se a Coimbra, através do espaço industrial que fica no limite do concelho deles com a Pampilhosa”. “Assim como estamos a trabalhar em conjunto para uma ligação ao IP3, que tenha boas condições de circulação e que ligue ao nó já existente”, acrescentou ainda o autarca, garantindo que “há coordenação entre os dois Municípios. Estamos todos a trabalhar em consonância e no caminho para colocar este projeto nas agendas nacional e internacional”.
“Este corredor logístico terá tanto mais impacto, quanto maior for”, corroborou Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia, recordando que “temos o segundo corredor mais importante do país na ligação do mercado europeu” e “estamos entre dois portos, um mais comercial do que outro”.