Está inaugurada a Feira da Vinha e do Vinho, edição de 2024, na cidade de Anadia. O certame abriu na presença de inúmeras individualidades, nomeadamente, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes; o presidente do Turismo Centro de Portugal, Raúl Almeida; e de Fernando Martins, da Unidade de Agricultura e de Pescas da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Maria Teresa Cardoso, presidente da Autarquia de Anadia, congratulou os «20 anos do evento» e, aproveitando a presença do representante do Governo, lamentou que «a linha de alta velocidade destrua uma grande mancha vitivinícola em Anadia e na região».

A chuva caiu em força pouco tempo antes da inauguração oficial, mas o sol «abriu» as portas da Feira da Vinha e do Vinho, em Vale Santo, Anadia, que começou ao som da banda «Os Quatro e Meia», no palco principal «Terra de Paixões». Produtores vinícolas, tasquinhas, restaurantes, expositores e animação infantil são muitos dos atrativos do certame que tem como intuito dar a conhecer aos visitantes o que de melhor se faz no concelho anadiense nos vários setores da economia local, com especial incidência para a enogastronomia, turismo, saúde e bem-estar.

«Esta feira enquadra-se no tipo de eventos que defendemos porque dinamizam as pessoas e os territórios. É já uma notoriedade da marca Anadia, mas também da região Centro», congratulou Raul Almeida, presidente do Turismo Centro de Portugal, explicando que estes certames defendem «o enoturismo e isso só traz mais valias, nomeadamente, no que toca à quebra da sazonalidade e nas questões de coesão territorial; contribui para um maior tempo de estadia nos territórios; e potencia o turismo em diversas outras áreas». «Muitos ainda não o reconhecem, mas é preciso que os produtores acreditem que o enoturismo faz também crescer os seus negócios», enfatizou.

Palavras corroboradas por José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura, que depois de parabenizar o evento «que começou durante o Europeu de 2004», destacou o papel do vinho, afirmando que «faz parte do nosso modo de vida europeu e até dos rituais religiosos». «Dá-me prazer vir a estes espaços e ver o fortíssimo trabalho no setor do vinho e com enólogos jovens. Depois sei bem que este é um local de reencontro onde as pessoas já sabem que se vão ver e marcam nas agendas», disse, adiantando que Portugal «é o décimo produtor mundial de vinhos e nem sempre temos noção disso», prometendo «uma aposta forte na promoção do vinho e do espumante para exportação em territórios terceiros. A qualidade, marca e marketing são essenciais».

20

O representante do Estado lamentou ainda não haver «em termos nacionais perceção da real importância da agricultura, que também é indústria, inovação e turismo. Não valorizamos os agricultores como devia ser e, por isso, Portugal tem a média mais alta de idades no setor».

Sobre esta matéria, a presidente da Câmara de Anadia, prestou «uma nota de pesar pelos projetos de interesse nacional que vêm destruir uma grande mancha vitivinícola em Anadia», referindo-se à Alta Velocidade. «Isto vai prejudicar o setor e algumas adegas que são de grande importância para o nosso concelho. Estamos apreensivos e não conseguimos dar uma resposta aos produtores da nossa região e, por isso, gostaríamos que o Ministério da Agricultura tivesse um olhar atento, porque muito temos feito em prol de ampliarmos este setor», apelou a autarca.

Sobre o tema, José Manuel Fernandes sublinhou que «não havendo alternativa, temos de procurar compensações. Se as produções não poderem estar num espaço, que continuem em outro».

 

Até domingo ainda atuam Nuno Ribeiro, The Waterboys, Rui Veloso e Bárbara Tinoco

O certame conta com dois palcos de animação, o principal «Terra de Paixões» onde atuarão os cabeças de cartaz, e o «Sentir Anadia», na Praça das Tasquinhas, reservado às associações do concelho, que dão a conhecer o seu trabalho recreativo e cultural.

Depois de «Os Quatro e Meia» ontem; esta quinta-feira sobe ao palco Nuno Ribeiro; amanhã The Waterboys e DJ Padre Guilherme; no sábado, 22 de junho, Rui Veloso e Insert Coin; e, no último dia, domingo, Nina Tok Tok, à tarde, no Palco «Sentir Anadia» e, à noite, Bárbara Tinoco.

As entradas no recinto têm um custo diário de três euros, à exceção do último dia (domingo) em que a entrada é gratuita. O bilhete geral custa dez euros. Os portadores dos cartões Anadia Jovem e Sénior têm um desconto de 50%. Os concertos noturnos têm início às 22h00.

 

Mónica Sofia Lopes