«Nos dois últimos anos, as regiões da Bairrada e da Beira Atlântico triplicaram a quantidade de candidaturas para plantação de novas vinhas». As palavras são de Bernardo Gouvêa, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, que, ontem, esteve em representação da Ministra da Agricultura, na Feira da Vinha e do Vinho, que decorre, até ao próximo domingo, na cidade de Anadia.

Começou, esta quarta-feira, a festa maior do concelho de Anadia e coube a José Cid, também ele residente no município, inaugurar, na primeira noite do certame, o anfiteatro que, por estes dias, se transforma em «Terra de Paixões». Mas o evento começou horas antes, aquando da visita inaugural por parte das entidades oficiais, nomeadamente, executivo camarário, presidentes da Assembleia Municipal e das Juntas de Freguesia, forças de segurança, Bernardo Gouvêa e Fernando Martins, Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Centro.

«Os meus parabéns aos anadienses e a todos os que estão a trabalhar e a montar este evento, tão importante para o setor do vinho», declarou o presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, enfatizando que a região da Bairrada e a de Távora e Varosa «produzem 70% do espumante, de grande qualidade, que se faz em Portugal». «Tudo isto faz parte de uma cultura da vinha ancestral, onde o tipo de solo e o clima foram determinantes na promoção da casta baga», disse ainda, defendendo que «apesar de estarmos na era das tecnologias, os territórios necessitam manter vivas as culturas».

Maria Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, enalteceu «o dia de festa», que teve início ontem, congratulando a adesão que houve aos expositores do certame. Contudo, o seu discurso ficou marcado pelas palavras que gostaria de ter transmitido diretamente ao Governo. «Desde a passada segunda-feira que temos anunciado a abertura do período de discussão pública do Troço B – de Oiã a Soure – do traçado de Alta Velocidade. Duas das alternativas dividem ainda mais o concelho ao meio. Estamos atravessados pela Autoestrada 1 pela linha ferroviária do Norte e agora ainda querem a linha de alta velocidade», lamentou a autarca, garantindo que o que se pretende fazer «é muito penalizador para o enoturismo do concelho»: «É como se tivéssemos de escolher entre a área da viticultura ou um traçado que atravessa muitas freguesias do concelho».

A edil garante que «o Município vai à luta» e apela «a que cada anadiense tome conhecimento deste projeto». «Isto não traz nada para a Anadia, nem uma paragem, porque essas continuarão a ser em Aveiro e em Coimbra», disse ainda, recordando que este investimento vai contra «o que durante muitos anos tentámos desbloquear para que as pessoas investissem e se fixassem no nosso concelho».

Ferrovia à parte, até ao próximo domingo, os destinos na região vão todos dar à cidade de Anadia para a vigésima edição da Feira da Vinha e do Vinho. Assim, esta quinta-feira, pelas 22h00, a animação está a cargo de Jorge Palma e dos DJ’s The Boatman e Fontes; e amanhã, sexta-feira, 23 de junho, Wet Bed Gang tem início às 22h30, continuando a festa com Kura e o DJ Pedro Moniz ft. MC Wazy. No sábado, Pedro Abrunhosa dá espetáculo a partir das 22h30, seguindo-se Insert Coin e o DJ André Cardoso. Já no último dia de certame, domingo, 25 de junho, o único dia de entradas gratuitas, a festa começa à tarde, pelas 15h00 com a Masha e o Urso e o DJ Ovelha Choné, estando a noite guardada para a Ala dos Namorados, com um concerto musical a partir das 22h00.

O bilhete diário tem um custo de três euros e o certame abre diariamente, excetuando no domingo, às 17h30.

 

Texto e fotografias de Mónica Sofia Lopes

Galeria de imagens, de Michael Cardenas, em https://www.facebook.com/bairradainformacao