(Notícia atualizada às 13h24 de 14 de janeiro de 2021)

A Câmara da Mealhada está a analisar, com juristas de direito comercial, contratados para o efeito, a possibilidade de «avançar e agir judicialmente» contra a decisão, já consumada, da fusão da Sociedade da Água de Luso na Sociedade Central de Cervejas, desafiando a população do Luso «a juntar-se à causa», em defesa da história da SAL. Numa sessão, via zoom,  promovida pela Autarquia, Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e de relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas, explicou que a fusão ocorreu por razões de «razões organizacionais, nomeadamente informáticas», que os direitos e salários dos trabalhadores «são agora melhores» e que, a nível de derrama, estando a SAL integrada na Central de Cervejas, uma empresa com lucros, «a Câmara irá receber um valor superior aos últimos dez anos» que, garante, «não foi praticamente nenhum».

«A fusão foi comunicada à Câmara Municipal no dia 4 de janeiro de 2021 às 17h49», começou por dizer Rui Marqueiro, presidente da Autarquia da Mealhada, garantindo, contudo, que a intenção já tinha sido manifestada em junho passado. «Desde o primeiro momento que nos manifestámos contra, tendo sido pedido à Central de Cervejas que não o fizesse, uma vez que a SAL tem uma história longa, de muitos anos, que perder-se-ia», continuou o autarca, informando que voltou a manifestar o seu descontentamento à Central de Cervejas, no passado dia 5 de Janeiro, estando a Câmara, «a estudar», com juristas especialistas em direito comercial «se pode avançar e agir judicialmente». «Temos advogados a trabalharem no assunto desde junho, mas como a fusão só se deu agora, também só agora pode haver contestação», afirma, desafiando a população a juntar-se à causa, assumindo o Município todas as custas do processo.

«Foi-me dito que os trabalhadores, atualmente, e após a fusão, estão com melhores condições. Importa agora, com os direitos salvaguardados dos colaboradores, ver que direitos terá a população do Luso», sublinhou o edil, lamentando que «os argumentos da Central de Cervejas não convençam», uma vez que «do ponto de vista informático, a normalização poderia ocorrer sem necessidade de qualquer fusão».

Nuno Pinto Magalhães começou por explicar que a SAL e a SCC pertencem ao grupo Heineken desde 2008 e que a empresa «tem 16 operações de água espalhadas por todo o mundo». «A Heineken e a Sociedade Central de Cervejas têm uma aposta clara no negócio das águas, tendo em 2019 comprado a Água Castello», referiu, recordando ainda que «a água do Luso é líder no mercado e não pode, obviamente, ser deslocalizada».

O representante da Central de Cervejas disse ainda que o principal fator para a fusão se prendeu com «razões organizacionais, nomeadamente informáticas» e que os trabalhadores da SAL passam agora a ter os mesmos direitos e regalias dos da Central de Cervejas. «A lei diz que a regularização entrava em vigor somente em janeiro de 2022, mas nós decidimos que seria já», enalteceu Nuno Pinto Magalhães, relembrando que «durante o confinamento de março e abril, os trabalhadores da linha da frente da SAL, para além do vencimento, receberam um ordenado mínimo nacional extra». «Quantas empresas o fizeram?», questiona.

Em termos de derrama, o diretor de comunicação e de relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas diz que o Município da Mealhada «receberá um valor superior aos últimos dez anos, em que praticamente não recebeu nada». «Em 2019, a Central de Cervejas apresenta resultados superiores a 50 milhões de euros», refutou, acrescentando que «todas as obrigações da SAL manter-se-ão». Relativamente à história, Nuno Pinto Magalhães garante que a Fundação Luso «vai continuar o seu papel de preservação do património», estando até prevista a criação de um conselho consultivo.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia de capa de José Moura