O orçamento da Autarquia da Mealhada para o ano de 2021, que ultrapassa os 24,2 milhões de euros (três milhões superior ao de 2020), foi aprovado, por maioria, na Assembleia Municipal, com os votos contra dos deputados da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada», do Bloco de Esquerda e do PCP. O documento contempla um conjunto de novas obras, nomeadamente a construção do novo edifício municipal e a requalificação urbanística do centro histórico da Mealhada, mas não convence as bancadas da oposição com assento no órgão.

«Estes documentos fazem lembrar um elenco velho, onde as promessas e as desculpas são sempre as mesmas. É uma mão cheia de nada», começou por dizer Ana Luzia Cruz, do BE, acrescentando que «este PS da Mealhada continua a esquecer as pessoas reais». «Os munícipes reclamam soluções que não aparecem. Há uma inércia deste executivo que vem detrás, muito antes da pandemia», disse ainda.

João Louceiro, do PCP, lamentou que o orçamento não tenha contemplado nenhum dos contributos dados pelo partido que representa, ao abrigo do Direito da Oposição. «Este é um orçamento com opções erradas, onde votando contra, o PCP reitera distância desta linha», referiu o deputado municipal.

Da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada», Pedro Semedo fez uma declaração de voto, lamentando que «o investimento em Barcouço seja somente referente à Feira», num orçamento onde diz que «pior sorte tem a Antes, tal como Casal Comba, que estão desaparecidos em tempo incerto». O deputado referiu ainda que «as obras se centram na sede do Município» e que «o Bussaco continua a ser um sorvedouro de recursos da Autarquia».

Em resposta Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, sublinhou que «quem aplica cinco milhões em despesas de capital» teve que «fazer alguma coisa», garantindo que se a oposição «olhar para o documento encontrará coisas que todos partilham». «Devem querer a recuperação do Challet Suisso, na Pampilhosa, um parque de estacionamento e uma sala polivalente no Luso», exemplificou, acrescentando: «Os senhores têm outras ideias, mas não me digam que a reparação do Pontão da Pampilhosa não é importante. É claro que é».

«Os senhores não vêm nada e eu vejo tanta coisa. Vejo dois Centros Escolares, três jardins-de-infância,…», rematou ainda, informando que a Autarquia transitará de ano «com saldo bancário de oito milhões de euros».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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