Os passos que damos ensina-nos e muito. Não é só o andar “físico” quando nos deslocamos de um sítio para outro, como também nos planos que fazemos, sonhos idealizados por cumprir, desejos ardentes que pairam dentro das nossas cabeças e dos nossos corações. Sim, é desse andar “imaginário” que estou a referir. Esse andar é tal e qual os nossos andares “físicos” ninguém consegue dar passos maior que a perna.

Da mesma maneira que não podemos e nem devemos dar passos maiores que as pernas nas nossas caminhadas, sejam elas “físicas” ou “imaginárias”, porque podemos correr o risco de ter lesões, também não podemos exagerar na pitada de sal que voa para o prato de comida. Este exercício tem que (e deve) coincidir exatamente com uma dose certa, seja para o cozinheiro que tempera a comida, ou para aquele que recebe o prato, como cliente, e que pelo seu paladar pode sentir que falta sal e/ou outra coisa na comida.

Portanto, de igual modo como as nossas aventuras com os pés assentes na terra, ou pelas nossas imaginações, as pitadas de sal que damos à comida, no momento da confeção ou no ato de empratar e/ou embelezar o prato para impressionar o cliente, devemos ter em conta que são atos de consciência. São atos de consciência porque qualquer distração, em mandar um passo maior que a perna ou temperar exageradamente a comida, tanto podemos passar mal como podemos fazer outro passar mal.

Todavia, é preciso e cada mais uma maior conscientização ao nível das nossas comunidades e/ou ambientes de convívio, em fazer passar a mensagem, através dos nossos comportamentos e atitudes, de que não basta ter ilusões mirabolantes, é preciso mais do que tudo ter a consciência de que devemos e temos que dar passos certos e eficazes com o tamanho das nossas pernas e ao mesmo tempo colocar a dose certa de sal ou de outro tempero qualquer na comida que nos dá energia, seja àquela que cozinhamos para nós ou àquela que fazemos para os outros.

É assim nos passos, é assim nos temperos, e é assim na nossa vida em geral. Acima de tudo ter a consciência de fazer coisas certas para nós e para outros independentemente do tempo e local onde nos encontramos.

 

Artigo de Mamadu Alimo Djalo