Os deputados do Grupo Parlamentar Bloco de Esquerda entregaram um requerimento na Assembleia da República com um pedido de audição urgente onde querem ouvir o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, bem como os presidentes da Câmara da Mealhada e da Fundação Bussaco, acerca «da inação e abandono da Mata, da pouca transparência da Fundação e do novo modelo de gestão que está em elaboração». Rui Marqueiro e António Gravato consideram o momento mais «uma oportunidade» de apresentarem «o esforço que tem sido feito para manter e valorizar a Mata Nacional do Bussaco», propriedade do Estado.

«A Mata Nacional do Bussaco tem sido deixada ao abandono. As espécies invasivas proliferam, o pavimento carmelita e a cerca estão degradadas. Ao mesmo tempo temos plantas inutilizadas no viveiro e clareiras não replantadas. A Mata é delimitada por eucaliptal, sem qualquer zona tampão, colocando-a assim em maior risco de incêndio e de contaminação por sementes», lê-se num comunicado, remetido aos jornais pelo Bloco de Esquerda da Mealhada, onde o deputado, eleito pelo círculo de Aveiro, Nelson Peralta afirma: «Estamos perante a inação por parte de quem tem a responsabilidade de gerir a Mata, mas também de incumprimento do acordado após os projetos LIFE. A Fundação tem-se dedicado a contratações duvidosas e não tem feito o seu trabalho».

Já sobre uma nova proposta de alteração ao Decreto-Lei n.º 58/2014, que pretende rever o modelo de governança da Fundação Bussaco, o Bloco de Esquerda diz que «é necessário serviço público e não uma Fundação».

António Gravato, presidente da Fundação Bussaco, que por sugestão do secretário de Estado das Florestas se manterá em funções até ao final do ano, tendo o mandato terminado em Agosto passado, ao nosso jornal, afirma que o convite «é uma oportunidade única de, perante os mais altos representantes da Nação no Parlamento, poder apresentar e dar a conhecer todo o esforço que tem sido feito para manter e valorizar o ativo estratégico deste território, que é a Mata Nacional do Bussaco».

Rui Marqueiro, presidente do Município da Mealhada, considera «uma honra a presença na Assembleia da República», garantindo que, no caso de ser «convidado», levará da Autarquia que preside «a lista com os financiamentos à Fundação, a lista das intervenções feitas pela Câmara na Mata e a lista com o apoio fortíssimo que foi dado aquando das últimas tempestades». «Depois da experiência de sete anos sinto-me capaz de protestar contra a falta de financiamento do Estado à Fundação», garante o edil, lamentando que «um dia, alguém tenha entendido que a fonte de receitas da Fundação era suficiente para fazer face às despesas e investimentos de um local com 105 hectares e 140 edifícios lá dentro».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagem de Arquivo de José Moura