A Câmara de Anadia, «cansada» da falta de respostas por parte do Estado, avançou, ao início da manhã de ontem, com maquinaria e dezenas de trabalhadores, para a limpeza dos antigos edifícios das escolas de Anadia. Para a autarca Teresa Cardoso, o abandono daquelas infraestruturas significa «uma falta de respeito institucional e um verdadeiro atentado ambiental, social e contra o património», situação que poderá levar o Município a colocar um processo de contraordenação contra o Estado.

Os imóveis degradados, situados na entrada principal da cidade de Anadia, estão, sem utilização, desde março de 2014, altura em que a comunidade escolar passou a ter aulas numa obra, situada no Complexo Desportivo de Anadia, em terrenos da autarquia, mas que ficou a cargo da empresa estatal Parque Escolar.

A permuta era a solução que estava a ser acordada, já num anterior executivo ao da liderança de Teresa Cardoso, entre a Autarquia e o Estado, contudo, nunca nada ficou escrito no papel. Em maio de 2017, a autarquia anadiense tomou conhecimento tanto dos valores da avaliação feita aos imóveis, pelo Património do Estado, como dos de um perito avaliador, a pedido do Município, e as diferenças fizeram-se sentir. Aos cerca de um milhão e 400 mil euros propostos pelo Estado, seguiu-se uma contraproposta, mais baixa, por parte da Autarquia, mas as «negociações» nunca chegaram a bom porto.

«Depois de todo este estado de degradação, a avaliação (por parte do Estado) acaba por ser praticamente igual à primeira. Nós também procedemos a uma avaliação, com peritos acreditados, e na verdade estávamos muito longe dos valores que a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças nos apresentou», lamentou Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, garantindo que «já pouco há a recuperar destes imóveis».

Ontem, trabalhadores, elementos do executivo municipal, presidentes de Junta e jornalistas puderam ver «in loco» a imensa destruição dos vários espaços, bem como a presença de moradores de etnia cigana e até animais presos numa «gaiola» num dos pavilhões. «Isto é um verdadeiro atentado contra o património e a história dos anadienses», afirmou a edil, que acrescenta: «Estamo-nos a substituir ao Estado, que há vários anos é notificado para proceder à limpeza deste espaço, assim como a outros que tem abandonados pelo nosso concelho».

Teresa Cardoso confirma ainda que a Câmara não entrou nos edifícios sem antes ter dado um prazo para que a limpeza fosse feita. «Demos a conhecer a nossa posição à Direção Geral do Tesouro e das Finanças, ao senhor Primeiro Ministro e ao Ministro do Ambiente», referiu a autarca, adiantando que estão também dispostos «a colocar um processo de contraordenação ao estado português pela falta de obras de manutenção e conservação», atitude que diz colocar em causa «a saúde e segurança públicas». Depois de limpar e contabilizar os custos, a Autarquia exigirá o pagamento «do trabalho que competia ao estado português».

«Em relação à questão ambiental, para além do mato e silvas, temos aqui uma grande quantidade de amianto», lamenta a autarca, garantindo que o referido património «é um tesouro esquecido e escondido do Ministério das Finanças».

Para já, e por questões de segurança, foi iniciada a limpeza na manhã desta quinta-feira. Quanto ao futuro, Teresa Cardoso não sabe que intenções tem o Governo, mas está disponível para sugestões, nomeadamente, relembra que «o Ministério da Educação já mandou as orientações para o próximo ano letivo» e que as limitações escolares atuais existentes, poderiam ser colmatadas num daqueles espaços, «com a distribuição de algumas turmas do Agrupamento e até mesmo da escola profissional».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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