O Ministério Público arquivou todas as denúncias de que era alvo, desde 2017, o Município de Anadia. O assunto foi tornado público, através de um comunicado, pela própria Autarquia, alegando ser Litério Marques, ex-presidente da Câmara e atual vereador, o autor das denúncias, tendo este sido um dos temas mais focados na última Assembleia Municipal. Na sessão Litério Marques remeteu-se ao silêncio.

As alegadas irregularidades foram, e segundo o comunicado da Autarquia, «imputadas a vários elementos do Município, nomeadamente à presidente da Câmara Municipal, ao vice-presidente, a alguns Chefes de Divisão e a outros funcionários do Município, relativamente a contratos de empreitadas, Feira da Vinha e do Vinho, entre outras matérias, o que obrigou o Ministério Público e a Polícia Judiciária a desencadear uma investigação que durou cerca de dois anos, levando inclusive a uma busca no edifício dos Paços do Concelho, que culminou, no passado dia 30 de março, com o respetivo arquivamento por falta de quaisquer indícios». No documento Maria Teresa Cardoso, presidente da Autarquia, adianta que «as queixas começaram por ser anónimas, mas depois veio a verificar-se que o autor das mesmas era o atual vereador do PSD e ex-presidente da Câmara, Litério Marques».

A investigação, que teve início em abril de 2018, foi recebida «com tranquilidade e serenidade» na Câmara de Anadia. Pelo menos foi assim que a autarca descreveu perante os deputados municipais anadienses. «O Ministério Público entendeu não existir matéria para produzir acusação», disse a edil, confessando ter colocado «uma pedra sobre um assunto, em que fica a mágoa».

Na sessão, o vereador Litério Marques manteve-se em silêncio, enquanto o tema era debatido, não tendo pedido o uso da palavra. Foi João Gaspar, deputado municipal eleito pelo PSD, quem se manifestou, opinando que não era positivo trazer o assunto a público e que «não agiria dessa forma». «Estou aqui hoje a dar a minha opinião, mesmo entendendo a mágoa da senhora presidente e de ter sido frontalmente contra todas as ações», referiu.

Uma declaração que levou Luís Santos, do Movimento Independente Anadia Primeiro, a questionar: «Se a resposta dos Tribunais fosse o contrário o que teria sido dito nesta Assembleia?». Da mesma bancada, também Rafael Timóteo afirmou: «Por muito feio que tivesse sido o que aconteceu, as pessoas têm que saber e este é o sítio para informar os munícipes sobre todo o processo».

«Tenho 58 anos, considero-me uma pessoa de bem e vim para a vida pública para apoiar uma determinada pessoa, com quem fiz percurso político. Entrei na Câmara de cabeça levantada e quero sair de cabeça levantada», referiu Teresa Cardoso, afirmando que «quando o momento chegou» teve de se pronunciar também em defesa da Autarquia que preside.

Maria Teresa Cardoso lamenta ainda que «o Município tenha sido, reiteradamente, exposto a este tipo de denúncias e calúnias, assegurando que o executivo municipal vai continuar a traçar o seu caminho, como tem feito até aqui, com total transparência e de forma rigorosa».

 

 

Mónica Sofia Lopes