Os presidentes da Câmara da Mealhada e das Juntas de Freguesia do Luso e da Vacariça mostraram-se, ontem, preocupados com uma possível fusão das empresas da Central de Cervejas, da qual faz parte a Sociedade da Água de Luso. Uma medida que, segundo o autarca Rui Marqueiro, implicará o desaparecimento da SAL, mas que Nuno Pinto de Magalhães, diretor de comunicação e relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas, afiança ser «um projeto embrionário que ainda está em discussão interna e com “stakeholders”».

«A Câmara da Mealhada foi informada que a Sociedade Central de Cervejas pretende fazer uma fusão com todas as empresas do grupo e isso implicará o desaparecimento da Sociedade da Água de Luso». Foi desta forma que Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, deu início à conferência de imprensa, que se realizou na manhã de ontem, no Salão Nobre dos Paços do Município, acrescentando que esta medida «magoa o Município, a história do Luso e todos os seus habitantes». «Não é algo que vemos com bons olhos!», enfatiza.

O autarca relembra que, «quando foi necessário», a Autarquia esteve ao lado da SAL. «Há uns anos foi necessária uma grande operação de modernização, que implicou a deslocalização do engarrafamento do Luso para a Vacariça e a Câmara apoiou esta decisão difícil, pois tratava-se de salvar a empresa e fazer com que fosse competitiva», sublinhou, recordando que a Câmara «disponibilizou os quatro quilómetros de vias municipais para as condutas transportarem a água do Luso para a Vacariça». «E se a Vacariça pouco ou nada ganhou, o Luso perdeu muito», alega.

«Esta fusão condena a SAL, põe fim a uma história com mais de 160 anos de ligação ao Luso, aos seus habitantes e ao concelho», resume ainda Marqueiro, lembrando que a SAL foi fundada em 1852, enquanto a SCC apareceu somente em 1934. «A SAL faz parte da história de praticamente todas as famílias do Luso e achamos que é uma história que merece respeito!», afiança.

Da conferência ficou também a certeza de que será enviada uma carta, com um pedido «humilde» à Central de Cervejas para que a SAL fique de fora da fusão, e que será assinada pelos presidentes da Câmara da Mealhada e das Juntas do Luso e da Vacariça, mas também pelos presidentes das respetivas Assembleias de Freguesia, bem como por Daniela Esteves, presidente da Assembleia Municipal da Mealhada.

Contactado pelo nosso jornal, Nuno Pinto de Magalhães afirma que nada tem a comentar «publicamente», acerca de «um projeto embrionário que ainda está em discussão interna e com “stakeholders”». «Muito estranhamos este “disclosure” público por parte da Câmara da Mealhada, que em nada poderá afetar os direitos e obrigações da SAL perante os seus colaboradores ou terceiros», remata.

 

Mónica Sofia Lopes