O executivo municipal da Mealhada aprovou, na manhã de ontem, um subsídio de 37.460 euros, para a aquisição de seis ventiladores pelo Hospital Misericórdia da Mealhada. Presente na sessão, que mais uma vez se realizou por videoconferência, esteve Aloísio Leão, director clínico na referida unidade de saúde, que garantiu que os equipamentos «“não evasivos”, não são para cuidados intensivos», mas podem vir a ser usados em doentes com covid-19 «com ventilação até 96 horas».

A compra dos ventiladores, e segundo João Peres, provedor da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, «já era uma intenção da instituição desde 2018». «Nessa altura, não atingimos os objetivos financeiros que pretendíamos, tendo ficado em carteira no ano seguinte. Em 2020, dá-se a pandemia e isto foi um pandemónio económico para todos nós», referiu, congratulando-se com a medida da Autarquia: «Em boa hora o senhor presidente se preocupou com o problema, dispondo a atribuição de um subsídio, um apoio que nos permitiu adquirir ventiladores que fazem falta no nosso concelho».

Para o provedor da Misericórdia da Mealhada «é preciso lembrar que nós não somos um hospital privado, somos um dos 12 hospitais sociais que existem a nível nacional». «Somos parceiros do Serviço Nacional de Saúde e já nos foi questionado quantas camas temos disponíveis para fazer face à pandemia», continuou João Peres, que espera que «o Hospital Misericórdia da Mealhada não venha a ser preciso para isso», mas garante que os ventiladores «são uma garantia para a população da Mealhada», nomeadamente para outro tipo de doenças, não se cingindo somente ao covid-19.

Os esclarecimentos mais técnicos couberam a Aloísio Leão que descreveu que «os seis ventiladores, não evasivos, são portáteis», e servem para doenças do foro pulmonar, nomeadamente doenças obstrutivas crónicas. «São aparelhos com alguma qualidade, mas não são para cuidados intensivos, até porque não os temos. Servem os doentes que têm alta dos hospitais públicos e as famílias que não têm condições para os terem em casa», explicou ainda o diretor clínico do Hospital, informando estar, neste momento, a existir uma negociação com a ARS do Centro para a unidade de saúde poder vir a receber doentes com covid a necessitarem de ventilação até 96 horas.

«Estamos a negociar a necessidade da ARS do Centro e da nossa parte os valores que terão que, minimamente, pagar as despesas, nomeadamente, em relação aos equipamentos de proteção individual», acrescentou.

O Hospital Misericórdia da Mealhada aguarda, agora, pela chegada de outros dois ventiladores «mais sofisticados». «São aparelhos que queremos colocar no bloco operatório para serem usados em pessoas que não estão acordadas, sendo o controlo mais efetivo», referiu ainda Aloísio Leão sobre os equipamentos, cujo valor total rondará os 50 mil euros.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagem de Arquivo com Direitos Reservados