O Município da Mealhada vai pedir o agendamento de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal para alienação da sua participação na Escola Profissional da Mealhada, E. M. Unipessoal, Lda., depois de, na manhã de ontem, ter sido admitida, em hasta pública, a proposta da G.P.S. – Gestão de Participações Sociais, S.G.P.S., S.A, para compra da EPVL.

Segundo o «Bairrada Informação» conseguiu apurar, a única proposta levada à sessão de hasta pública, que se realizou ontem no Cineteatro Messias, foi a da empresa G.P.S., com sede em Louriçal (Pombal). No documento apresentado, o grupo atesta currículo em diversas escolas, nomeadamente, nas Escolas Profissionais Mariana Seixas e Artística da Marinha Grande; nas Escolas Técnicas e Profissionais do Ribatejo, S.A., e de Mafra; e nos Colégios Dr. Luís Pereira da Costa (Monte Redondo) e Oriente, S.A (Sacavém).

A proposta conta também com a garantia da empresa na permanência da sede da escola na Mealhada, bem como a manutenção do nome e seus ativos principais: imóvel, alunos e professores.

Ontem, o júri, constituído pelos sete elementos do executivo municipal da Mealhada, deliberou, por maioria (com os votos contra dos eleitos pela coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada»), que a proposta foi regularmente instruída, tendo, desta forma, sido admitida e provisoriamente adjudicada, pelo valor de 491 mil euros. O ato é consumado pela entrega de 10% do montante por parte do grupo, salvaguardando-se nas normas que, no caso da Assembleia Municipal a rejeitar, o valor é devolvido sem qualquer indemnização.

Esta quinta-feira, 14 de maio, realizou-se uma reunião extraordinária na Autarquia da Mealhada, que, ao que tudo indica, resultará num pedido à Assembleia Municipal para realização de uma sessão extraordinária, em que seja colocada à votação dos deputados a venda da EPVL à G.P.S.

Recordamos os nossos leitores que o Município da Mealhada adquiriu, em 2019, 100% do capital da escola, o que fez com que a mesma seja agora considerada pública e, segundo Rui Marqueiro, presidente da autarquia, tenha perdido o direito aos 15% do valor de comparticipação da Segurança Social que, só no ano passado, rondou os 250 mil euros.

Para Hugo Silva, da coligação, a venda da escola «branqueia um buraco financeiro da gestão recente da instituição e revela uma opção política de desprezo pela construção deste projeto com quase 30 anos de empenho do sector municipal e de alguns privados locais que o apoiaram».

Já o Bloco de Esquerda quer ver esclarecidas diversas questões: «O montante da dívida aquando da compra da totalidade das quotas», «o dinheiro investido na escola desde que a adquiriu há seis meses» e de «como ficará a situação dos trabalhadores».

Também o PCP «não se conforma» com a decisão – «errada, mal fundamentada e desrespeitosa» – da escola ser entregue «a um investidor que queira com ela fazer negócio, realizar lucros e distribuir dividendos».

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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