O mealhadense Sandro Alves, há dezasseis anos em França, está a cumprir o segundo mês de confinamento na sua habitação, no centro de Paris, em teletrabalho e com a agenda repleta de reuniões realizadas por videoconferência. Ao «Bairrada Informação» falou das restrições que o país atravessa e de como está a população francesa a lidar com a pandemia provocada pelo Covid-19.

Em isolamento desde o dia 17 de março, Sandro Alves, diretor de investigação pré-clínica numa empresa do sector privado, está a trabalhar em casa até, pelo menos, o próximo dia 11 de maio, seguindo-se, e se as condições assim o permitirem, um desconfinamento progressivo.

A varanda de casa é o local priveligiado para o teletrabalho de Sandro Alves

Em teletrabalho e com imensas reuniões por videoconferência, o jovem, oriundo da região da Bairrada, sai de casa «apenas para comprar os bens necessários no hipermercado e ir à padaria». «Sinto que todos devemos fazer a nossa parte. Tento não sair muito para respeitar ao máximo o confinamento», começa por descrever Sandro Alves, confessando que, de vez em quando, à noite, «dá um passeio na rua para “cortar” um pouco o ritmo do dia e não ir para a cama a pensar no trabalho».

Em vídeo, o mealhadense mostra-nos como numa das ruas de acesso à Torre Eiffel, habitualmente repleta de pessoas e de carros, «não há qualquer movimento e está tudo fechado». «Um silêncio estranho, ensurdecedor! É, de facto, impressionante estar nesta estrada sem um único carro», descreve, numa volta noturna e registada em vídeo, atendendo a um pedido feito pelo nosso jornal.

Na descrição das idas às compras, Sandro Alves desabafa que «ainda se sente alguma tensão no ar». «Há sítios onde desde muito cedo as pessoas fazem filas enormes, mesmo antes dos supermercados abrirem, o que faz com que, quem vá mais tarde, encontre muitas das prateleiras vazias ou com pouca escolha», afirma, lamentando ter assistido, no início da pandemia, «a “stresses” entre clientes, por competição na escolha dos produtos». «Regra geral, os preços subiram, especialmente o papel higiénico, determinados legumes, a carne e outros bens essenciais», declara.

O cientista, doutorado em Tecnologias da Ciência e da Saúde, na especialidade em Biotecnologia, pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, considera que as medidas impostas pelo Governo Francês pecaram por tardias, passando depois «do oito para o 80, com as autoridades a multarem quem não tivesse uma justificação para estar na rua». «No início havia um documento que tinha que ser impresso e assinado com a justificação da saída. Agora há uma aplicação no telemóvel onde se tem que colocar a razão pela qual saímos e sua duração, só podendo sair no raio de um quilómetro», conta, garantindo que «as autoridades são pouco flexíveis».

E quando sai, Sandro Alves não esquece a máscara e a aplicação de gel nas mãos. «Depois, como acho que isto não chega, tento aplicar outros reflexos como empurrar portas com a chave na fechadura ou com os sapatos, para minimizar o contacto com superfícies. Também pago sempre com o cartão para evitar ter notas e moedas que não sabemos por onde andaram», explica.

«Não sabendo quanto tempo esta pandemia vai durar, sinto que temos que nos adaptar e ir vivendo desta maneira. Acho que o Covid já entrou, de certa forma, na vida das pessoas e que estamos todos a aprender a conviver com esta nova realidade….», conclui Sandro Alves, confessando telefonar agora, mais vezes, para a família. «Sei que estão bem e que tomam todas as medidas de segurança», afiança.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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