Leonor reside na cidade da Mealhada e, ontem, tal como milhares de crianças por todo o país, fez parte de um novo capítulo da história educativa, com a estreia do «ensino à distância», através da plataforma digital Microsoft Office365, da aula virtual Teams e ainda da telescola «Estudo em Casa», uma funcionalidade complementar às aulas, exibida, diariamente, na RTP Memória. A «Nonô», como é carinhosamente tratada pela família e pelos amigos, fez ontem nove anos de idade e, ao nosso jornal, confessa que «é muito melhor estar na sala com os colegas».

Quase nada faltou à Leonor Dantas Martins no dia em que completou nove anos. A sala de aula com os colegas foi trocada por uma aula virtual onde se cantaram na mesma os parabéns e o almoço, para além de ser na companhia dos pais e do irmão, o que não é hábito em período escolar, teve direito à comida preferida, onde o leitão foi rei e senhor e lhe chegou a casa através de um serviço de «take-away». O bolo, em formato de um panda, também lhe bateu à porta e foi servido com os quatro telemóveis da família em ligação com avós, amigos, padrinhos e vizinhos, todos em videochamada, onde os parabéns foram cantados em vários tons e de várias partes do país.

Depois de nos contar a parte festiva do dia, Leonor concentra-se e recorda o que fez para a escola. «Acordei eram 8h30 e passado algum tempo assisti às aulas de Português e de Matemática que deram na televisão», começa por explicar ao «Bairrada Informação», interpelada pela mãe, Teresa Dantas, que nos confessa ter ficado, positivamente, «surpreendida com a sincronização das duas disciplinas». «Na aula de Português foram analisados vários tipos de horários, como o de comboio e da escola e, na de Matemática, dois irmãos que tinham um cão e um gato, e horários distintos, tinham que saber em que horário podiam ir passear os animais e quanto tempo tinham para o efeito. Achei genial o mesmo conteúdo em duas aulas distintas».

À tarde foi a vez de mãe e filha se ligarem à plataforma Microsoft Office365 e reunirem com a professora através do Teams. «Foi só um teste para ver como funciona. Ouvi a professora e vi alguns colegas… Vi poucos porque só dá para ver quatro de cada vez», explicou-nos Nonô, satisfeita com esta nova aventura, mas sem dúvidas quanto aquilo que prefere: «É muito melhor estar na sala de aula com todos os colegas».

Leonor faz parte de um agregado familiar de quatro pessoas: a mãe é técnica informática e está em teletrabalho; o pai está em «lay-off» de uma empresa de cerâmica; e o irmão, com 18 anos, frequenta o 12.º ano na Secundária de Anadia e está, também ele, em aulas online. «Tanto nas aulas virtuais, como na telescola, a Leonor precisará de um adulto por perto. Hoje tive que chamá-la muitas vezes a atenção porque é fácil dispersar. Ou é o telefone que toca ou o cão que passa, tudo é motivo para olhar para outro sitio», explica-nos Teresa Dantas que, apesar de saber a tarefa árdua que tem pela frente, dá nota positiva «ao primeiro dia de aulas».

«Amanhã vamos assistir à telescola pela manhã e a professora ficou de enviar alguns trabalhos. Acho que é assim…», descreve-nos Nonô, no final da nossa videochamada, questionando, com muita pressa e com a vitalidade de quem ontem completou nove anos, «já posso ir brincar?».

 

Mónica Sofia Lopes