Um dos primeiros setores a sentir o impacto do COVID-19 foi o da restauração e, na Mealhada, uma das regiões mais procuradas pelo seu leitão, não foi diferente. A preocupação, por parte dos empresários, acerca do período incerto que se avizinha é muita, mas a decisão de encerrar, alguns já na semana passada, teve como prioridade a proteção da saúde pública. Patrões e funcionários estão unidos e solidários com a situação e há até um caso em que os colaboradores prescindirão de uma semana «normal» de férias para ajudarem o restaurante onde trabalham a ultrapassar a situação.

«Fechámos no passado domingo e estamos a cumprir quarentena voluntária», explicou, ao Diário de Coimbra, Sandra Alves, gerente do Pic-Nic, garantindo que desde quarta-feira (11 de março) se começou a registar uma quebra acentuada de clientes. «Ainda trabalhamos com a restrição de apenas termos um terço das mesas disponíveis, mas no domingo percebemos que era mesmo pouca a afluência», continuou, lamentando o futuro incerto. «Daqui para a frente temos os ordenados de 12 funcionários para pagar e nenhum dinheiro a entrar», referiu.

A decisão de encerrar o restaurante «O Castiço» deu-se na passada sexta-feira. «Sentimos uma quebra total de clientes e os que vinham notava-se o receio que traziam», descreveu Carla Carvalheira, sócia-gerente do «Castiço», referindo que o medo de um possível contágio entre clientes e funcionários, e vice-versa, falou mais alto. «Estamos a falar de saúde pública», referiu a empresária, consciente de que «a medida preventiva» vai ter um impacto grande no negócio. «Neste momento, estamos mais preocupados em ter os colaboradores – oito – recolhidos em casa», defendeu.

No Rei dos Leitões, depois de uma segunda-feira caótica (a 9 de março), «com lista de espera ao almoço e ao jantar», a gerência entendeu «não correr riscos», tanto para colaboradores como para clientes, e encerrou o restaurante, apenas funcionando, a partir de 10 de março, com serviço de «take-away» ao domicílio. «As medidas de higiene sempre foram uma das maiores preocupações do nosso espaço e, por isso, a adaptação a um reforço na desinfeção foi encarada com grande normalidade», explica, Paulo Rodrigues, gerente da empresa.

Com duas dezenas de funcionários, a administração do Rei dos Leitões decidiu, esta terça-feira, a quarentena voluntária de toda a equipa, estando assegurados todos os vencimentos e o compromisso dos colaboradores ficarem em casa (pelo menos) nas próximas duas semanas. E perante a indefinição da calamidade mundial provocada pelo COVID-19, Paulo Rodrigues não tem dúvidas que isto representará «um impacto de dezenas de milhares de euros» no negócio que gere.

Já no Pedro dos Leitões, a decisão de encerrar o espaço no passado domingo foi tomada entre a gerência e os funcionários. «Foram os próprios colaboradores (35) que, percebendo o impacto que isto ia ter na empresa, propuseram utilizar para já uma das semanas de férias que teriam no Verão, assim como as suas “meias folgas”», explicou-nos Filipe Castela, um dos sócios-gerentes, garantindo que «os ordenados vão ser pagos por inteiro».

Trabalhar até ao almoço de domingo também foi uma decisão tomada em «família» (funcionários e gerência), depois de uma semana com «dias horríveis de faturação». «Fez lembrar a época de crise que vivemos há cerca de uma década», lamentou Filipe Castela, vislumbrando que o futuro seja «difícil». «O dinheiro vai continuar a sair, as despesas são fixas e, em contrapartida, não haverá nenhuma entrada porque estamos encerrados», enfatizou.

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes

Fotografia com Direitos Reservados