Os edifícios devolutos à entrada da cidade de Anadia, onde no passado se situaram o Ciclo e a Escola Secundária, foram novamente um dos temas mais discutidos pelos deputados municipais. Numa forma de pressionar o Governo, para o estado atual das infraestruturas, o PSD chegou a sugerir o apoio do Município na criação de uma movimentação cívica que reivindique «a alteração desta situação».

O assunto foi espoletado pela bancada do Movimento Independente Anadia Primeiro, em que a deputada Paula Allen quis saber se havia alguma novidade em relação aos antigos edifícios escolares. «Continuamos num processo negocial, onde vamos mantendo as conversações e informando de tudo o que nos é solicitado», declarou Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia.

Para Tiago Castelo Branco, deputado da bancada do PSD, a situação «é um atentado à saúde pública», uma vez que os edifícios contêm «material nocivo». «Os antigos ciclo e liceu estão a degradar-se a olhos vistos», acrescentou ainda, questionando «se o Município de Anadia estaria na disposição de colaborar com um grupo de pessoas / cidadãos ou uma associação na luta pela alteração desta situação».

Teresa Cardoso referiu que «nunca é tarde para a criação de uma movimentação cívica», mas que «ficaria mal ao Município liderar um movimento», num momento em que a autarquia «está em fase de negociação» com o Estado.

Recordamos os nossos leitores que os imóveis degradados, na entrada principal da cidade de Anadia, estão, sem utilização, desde que a comunidade escolar passou a ter aulas numa obra, situada no Complexo Desportivo de Anadia, em terrenos da autarquia, mas que ficou a cargo da empresa estatal Parque Escolar.

Nessa altura, o Município, liderado por Litério Marques, vinha a estabelecer diversos acordos «verbais» com o Estado, nomeadamente que os terrenos seriam permutados para o município, não havendo, contudo, nada escrito que o comprove. Em maio de 2017, a autarquia anadiense tomou conhecimento tanto dos valores da avaliação feita aos imóveis, pelo Património do Estado, como dos de um perito avaliador, a pedido do Município, e as diferenças fizeram-se sentir. Na ocasião, Teresa Cardoso garantiu que os valores sugeridos pelo Estado «eram altos e sobrevalorizavam os imóveis», seguindo-se uma contraproposta por parte da Câmara, com valores mais baixos.

Na sessão de ontem, a deputada do MIAP, Paula Allen, ainda questionou se havia alguma intervenção prevista para o Centro de Saúde de Anadia, um edifício que também acusa algum estado de degradação.

«Para as obras necessárias no Centro de Saúde de Anadia não existe qualquer comparticipação financeira, nem dos fundos comunitários, nem da tutela», respondeu a presidente da Câmara, garantindo, contudo, existirem algumas intervenções que o Município poderá assumir. «Reparação dos pisos no hall de entrada, infiltração à entrada e arranjo das casas de banho. São obras que rondam os 50 mil euros e que o Município poderá assumir», disse, acrescentando que relativamente às obras de vulto, terá que ser reivindicada comparticipação à ARS e ao ACES do Baixo Vouga.

No rol das reclamações a autarca quer que também seja criada em Anadia a primeira Unidade de Saúde Familiar, um serviço que diz já existir «nos concelhos vizinhos».

 

PCP quer análises de amianto na C + S de Vilarinho do Bairro

O deputado municipal pelo PCP, Rui Bastos, sugeriu, na tarde de ontem, que sejam feitas análises ao amianto na C + S de Vilarinho do Bairro, garantindo constituir «um risco para a saúde pública».

Em resposta, Teresa Cardoso referiu que o edifício é da responsabilidade do Estado: «Obviamente que não iremos assumir qualquer intervenção naquele espaço». Afirmação que levou Rui Bastos a declarar que nunca falou em obra. «A minha questão é no âmbito da prevenção com o desafio de serem feitas análises», rematou.

Já para Tiago Castelo Branco cabe ao Município interpelar as entidades oficiais sobre uma possível intervenção e deixou no ar que no caso do edifício da Escola Profissional de Anadia, cujo o registo de propriedade é do Município, «sem relatórios nunca saberemos se aquilo é ou não um atentado à saúde pública».

 

 

Mónica Sofia Lopes