A região da Bairrada, concretamente o Município de Anadia e a Comissão Vitivinícola da Bairrada, mostrou-se ontem disponível, perante Maria do Céu Albuquerque, Ministra da Agricultura, para a criação de um centro nacional de investigação de espumantes. As declarações foram proferidas aquando do almoço comemorativo dos quarenta anos da Região Demarcada da Bairrada, que decorreu no Palace da Curia.

A Portaria n.º 709-A de 28 de dezembro de 1979 “reconhece como denominação vinícola de origem a designação ‘Bairrada’, reservada aos vinhos típicos, brancos tintos, produzidos nessa região” e foi essa data que, ao inicio da tarde de ontem, 14 de janeiro, se assinalou na Curia. “Hoje fazemos uma homenagem às uvas e aos vinhos da Bairrada, uma região plural, muito conhecida pelos seus vinhos de excelência”, começou por dizer Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, garantindo que a Bairrada é responsável por “mais de cinquenta por cento do espumante produzido em Portugal”.

Para Pedro Soares, a marca Bairrada tem que ser vista “de forma coletiva”, garantindo que “o vinho é para as gentes da Bairrada um elo de ligação”. O presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada destacou ainda o papel das comissões vitivinícolas, afirmando que “não se devem cingir apenas à certificação de produtos” e que devem promover “o cumprimento das regras”.  “As regiões vitivinícolas de maior sucesso no mundo são as que têm as regras mais apertadas”, rematou.

Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, destacou “o trabalho dos produtores”, que diz serem alvo “de reconhecimento ao nível nacional, mas também internacional”, afirmando que “o sucesso de cada um tem fortalecido a marca Bairrada”.

Na presença da Ministra da Agricultura, a autarca falou nos problemas com que os agricultores / viticultores se deparam, nomeadamente, a lei que regula as atividades de distribuição, venda e aplicação de produtos fitofarmacêuticos, bem como a abordagem aos mercados internos e externos. “A redução do IVA seria um apoio fundamental aos nossos vinhos, que são bastante valorizados nos quatro cantos do mundo”, acrescentou.

Aproveitando a oportunidade, a edil fez uma reivindicação antiga, demonstrando “disponibilidade do Município de Anadia e da Comissão Vitivinícola da Bairrada, com o apoio dos restantes sete municípios da região, para a criação de um centro nacional de investigação de espumantes”, que serviria também para revitalizar as instalações da Comissão, que funcionam em Anadia. “Acreditamos ser este um projeto viável e um contributo para a economia do país”, num setor (vitivinícola) que afiança “ter tido a capacidade de se regenerar”.

Em resposta, Maria do Céu Albuquerque, Ministra da Agricultura, admitiu ter sido confrontada com a ideia, de forma “muito simpática”, e falou na agenda de inovação do ministério, que será apresentada brevemente, onde se pretende a criação de “centros de experimentação” e requalificação de “estações agrárias”. “Muitas delas estão devolutas e abandonadas e queremos que voltem a estar ao serviço das comunidades locais para alavancar o território”, descreveu a representante do Estado, acrescentando que se pretende “ter equipas especializadas em cada um dos territórios, convocando universidades, politécnicos e autarquias” nesta cooperação “de todos os agentes” em torno da agricultura.

 

“2019 foi um ano de bons vinhos”, assegura Pedro Soares

No ano de 2019, a Região da Bairrada produziu mais de vinte e um milhões de litros de vinhos, espumantes e tranquilos. Houve uma quebra de quinze por cento na produção de brancos e de cinco por cento na produção de tintos.

“A baixa de produção foi compensada pela qualidade. 2019 foi um ano de bons vinhos”, assegura Pedro Soares, presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, explicando que “a Bairrada tem atualmente cerca de 2.400 produtores de vinhos tintos, brancos e rosados, que exploram 6.400 hectares de vinha”.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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