Um programa de rastreios realizado, no ano letivo de 2018/2019, pelo Hospital Misericórdia da Mealhada, em parceria com a Câmara da Mealhada e as seis freguesias, permitiu detetar precocemente “anomalias auditivas e visuais” em duzentos e oitenta alunos das escolas do concelho. No balanço, apresentado na tarde de ontem, sobressai também a baixa taxa de encaminhamento dos alunos referenciados para consultas e/ou exames, uma medida que ultrapassa os promotores e cabe essencialmente aos encarregados de educação.

O programa abrangeu cerca de um milhar de alunos do quinto aos nonos anos, bem como dos alunos do ensino secundário e profissional (do Agrupamento de Escolas e da Escola Profissional Vasconcellos Lebre), que foram rastreados gratuitamente.

Relativamente aos rastreios audiológicos, dos novecentos e quarenta e oito alunos avaliados foram referenciados treze com problemas do foro auditivo. Já no âmbito dos rastreios visuais foram avaliados oitocentos e setenta e seis alunos, tendo sido referenciados duzentos e sessenta e cinco alunos com problemas oftalmológicos, nomeadamente, “erros refrativos – miopia (visão ao longe alterada), astigmatismo (visão desfocada) e hipermetropia (visão ao perto alterada) -, acuidade visual, alteração da visão cromática e alteração ao nível da visão em profundidade”. “Cento e dois alunos apresentavam problemas múltiplos e cento e sessenta e quatro com problemas singulares”, lê-se no documento.

E se em relação ao programa de rastreios não há dúvidas quanto ao seu balanço positivo, o mesmo não se pode dizer do encaminhamento que deve ser feito de seguida, pelos encarregados de educação e pelos próprios alunos. “No rastreio auditivo tivemos uma adesão de 75,5%, o que é bom e representa uma motivação”, afirmou, na cerimónia de ontem, Maria José Bastos, otorrinolaringologista, lamentando, contudo, que “a taxa de adesão ao encaminhamento de exames e de consultas seja de 46,2%”.

“Alguns destes alunos eram do décimo segundo ano, que sendo os seus próprios encarregados de educação, poderá ter originado menos preocupação do aquela que seria expectável”, acrescentou, sugerindo que “as mensagens”, em relação aos encaminhamentos, “sejam ainda mais fortes”. “Pequenas alterações auditivas podem ter consequências no rendimento escolar, até por causa dos ruídos de fundo constantes”, concluiu.

Também Marcelo Seara, ortoptista, partilha da mesma ideia. “Em relação aos rastreios visuais, dos oitocentos e setenta e seis alunos avaliados, duzentos e sessenta e seis tinham alterações visuais. Deste número, contactamos, individualmente, cada um para saber o seguimento e apenas sessenta e oito tinham consultas agendadas”, explicou, considerando “ser preocupante”.

Apesar disso, Filipe Henriques, coordenador do serviço de Oftalmologia do Hospital Misericórdia da Mealhada, afiança que “os rastreios foram um sucesso” e que têm como principal prioridade “a melhoria da qualidade de vida dos alunos”. “A minha proposta é que se continue a apostar no programa, fazendo novamente no Pré-escolar, essencialmente por causa do olho preguiçoso”, sugerindo também que os rastreios comecem a ser pensados “para os adultos”, por causa da diabetes e do glaucoma.

No final da apresentação dos resultados, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, deu a garantia de continuidade do projeto. “Fazer obra é fácil, difícil é encontrar parceiros com esta dimensão”, enalteceu, rematando que “não há melhor investimento do que aquele que é feito na saúde e na educação. Acolhemos este projeto por considerarmos que traz grandes benefícios às famílias do nosso concelho”.

 

“O Coração é a Razão” com cerca de 100 participantes

Na mesma sessão foi também falado o projeto “O Coração é a Razão” – promovido pelo Hospital Misericórdia da Mealhada, Câmara da Mealhada, Universidade de Coimbra e Fundação Portuguesa de Cardiologia – um programa de exercício físico que pretende diminuir os fatores de risco em doenças cardiovasculares.

“Ainda não temos avaliações quantitativas, mas temos as qualitativas que nos dizem que os participantes ganham mais mobilidade e sentem-se bem”, explicou Patrício Duarte, da Faculdade de Desporto da Universidade de Coimbra, responsável pelas aulas dadas a cerca de uma centena de participantes no concelho da Mealhada.

 

Mónica Sofia Lopes