Os candidatos do PSD pelo círculo eleitoral de Aveiro às eleições legislativas de 6 de outubro, reuniram, esta quinta-feira, com a administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV). Esta visita acontece, precisamente, um ano depois de um outro encontro efetuado pelo grupo parlamentar do partido, numa altura em que a atual administração havia tomado posse.

Rui Cruz que esteve presente nos dois momentos, recordou esse mesmo encontro e realçou quatro pontos fundamentais, que acusa estarem a ser sucessivamente adiados. Tendo em consideração as questões que haviam sido levantadas no ano passado, e que os candidatos constataram que ainda se encontram por resolver, fundamentalmente no que diz respeito ao hospital de Estarreja, o candidato recorda que já no tempo da anterior administração “tinha um conjunto de projetos, financiados com fundos comunitários, que foram, sucessivamente esquecidos, ou seja, não autorizados pelos ministros da Saúde e das Finanças”, e que transitaram para a atual administração. E por isso, a visita aconteceu “para podermos questionar sobre essas matérias e fazer o ponto de situação do Hospital de Aveiro e um conjunto de intervenções nos hospitais de Estarreja e Águeda”, por entre outras questões prementes.

Rui Cruz recorda que nessa reunião “fizemos o paralelismo com o Hospital de Leiria, que é muito idêntico, em termos de cobertura, no número de utentes, mas muito diferentes em termos orçamentais”, afirmando que “o orçamento de Leira sempre foi muito superior ao de Aveiro”. Nesse sentido, recorda que fizeram ver à administração do CHBV que fazia todo o sentido reivindicar junto do ministro das Finanças, para corrigir esta desigualdade.

Um ano depois, os candidatos social-democratas voltaram ao mesmo local e as questões voltaram a recair nas mesmas temáticas, até porque Rui Cruz considera que “o Hospital de Estarreja foi sendo adiado, para que agora surgisse um novo projeto, mas como é óbvio não existe nenhum projeto”, admitindo que há apenas uma intenção para que venha a ser um Centro de Convalescença, algo que considera que já existe na Rede Nacional de Cuidados Continuados, “que é contratada entre o Estado e o setor privado solidário, e que fica muito mais barata ao Orçamento de Estado”.

Outra questão relevante foi o lançamento de um concurso para reabilitação da urgência básica do Hospital de Águeda, que também se arrastou no tempo, porque “o preço base desse concurso era excessivamente alto e ficou deserto”. O candidato é perentório ao apontar o dedo ao Governo e diz que “estas coisas não são feitas por acaso, mas sim deliberadamente para adiar o investimento”, sendo que as execuções financeiras e física “só vão acontecer em 2020”.

O reforço da verba do orçamento do Centro Hospitalar, destacada do Orçamento de Estado, no valor de 10 mil euros, é considerada uma verba digna de registo, no entanto, “já se percebeu, nas palavras da administradora do CHBV, Margarida França, que não são para executar”, acusando que foi apenas um ato do Governo para “calar a oposição, que reivindicou nas negociações do Orçamento do Estado o reforço das verbas para este centro hospitalar”. Segundo o candidato a garantia de não execução já foi admitida pela própria administradora do centro hospitalar. “Não há produção, o que significa que os recursos humanos não estão a produzir, no sentido de gerar despesa que justifique, gaste e execute os 78 milhões de euros previsto no orçamento”, conclui ao constatar o facto de estarmos a três meses do final do ano.

Já em relação à requalificação e ampliação do Hospital de Aveiro, assegura que já estava protocolado com a Universidade de Aveiro e com a Câmara Municipal, “havendo terrenos e intenções de toda a gente, mas a Dr.ª Margarida França afirmou na altura não haver projeto”. Nesse sentido, foi dada a garantia da parte da administração irem trabalhar para a realização de um projeto e durante 2019 se lançaria o concurso mas, “ainda não temos projeto, nem sequer estão terminados os estudos funcionais”, concluindo que “mais uma vez o objetivo foi o de não dar execução à verba orçamentada para não fazer despesa que onere o Orçamento do Estado para 2019 e o cumprimento do défice”, fazendo o paralelismo com o trabalho de Mário Centeno, “que é o de inscrever investimento e despesa e depois não executar, apertando e degradando os serviços públicos, para que se cumpram as metas do défice”.

Rui Cruz considera que “andaram 12 meses a mentir e enganar os utentes dos hospitais de Aveiro, Estarreja e Águeda”. Relativamente à ampliação do Hospital de Aveiro, garante que o terreno está disponível “desde a primeira vez que lá fomos”, referindo que o protocolo está assinado há mais de dois anos, sendo que a Câmara já cumpriu, há um ano, com a sua parte de limpar e demolir os armazéns ali existentes. “O problema é que não há autorização do ministério da Saúde, das Finanças e nem do próprio António Costa, para gastar um cêntimo que seja na requalificação e ampliação do Hospital de Aveiro. Esta é que é a verdade!”.

Por último uma das mensagens que a administração do CHBV passou aos candidatos, chegando mesmo a efetuar um pedido, foi para que estes possam transmitir no Parlamento a ideia para que seja dada “uma autonomia responsabilizante aos conselhos de administração dos hospitais”, para que estes possam rentabilizar o trabalho desenvolvido em cada um dos hospitais. Sobre esta matéria, o candidato social-democrata considera que esse apontamento vem na sequência de uma proposta que já está incluída no programa eleitoral do PSD, e na qual se propõe que seja dada autonomia à gestão hospitalar no âmbito da própria gestão do hospital e da despesa que o Orçamento do Estado lhe atribui. Rui Cruz afirma que “esta proposta foi apresentada no programa eleitoral do PSD com o intuito de melhorar a qualidade da gestão dos vários hospitais e unidades do Serviço Nacional de Saúde”, considerando que não passa de uma forma decalcada de uma proposta já apresentada pelo PSD.

 

Fonte: Direção de Campanha do PSD Aveiro