Em menos de vinte e quatro horas, ocorreram dois incêndios em duas freguesias do concelho da Mealhada com proximidade à Mata Nacional do Bussaco. Na manhã de sábado, o cenário foi negro com um fogo de grandes dimensões a circundar a localidade de Santa Cristina, na freguesia de Vacariça.

Santa Cristina acordou ontem com o sino da Capela a tocar. “Sinal de que a população se deve juntar”, contou, ao «Bairrada Informação», Pedro Lourenço, residente na localidade, que encontrámos no combate às chamas ao redor de uma infraestrutura onde tem alfaias agrícolas e lenha.

“Tinha-me deitado há poucas horas, por motivos profissionais, quando ouvi o sino a tocar. A população juntou-se e cada um zelou pelos seus bens e os dos vizinhos”, explicou o residente em Santa Cristina, elogiando “a rápida e eficiente atuação dos bombeiros”.

O incêndio, que começou cerca das 8h 30m e depois de uma noite em que se registaram fortes ventos na região, envolveu mais de duas centenas de bombeiros, cerca de sessenta viaturas e, no pico do fogo, uma dezena de meios aéreos. “A última vez que aconteceu aqui algo do género foi há vinte e sete anos”, disse-nos ainda Pedro Lourenço, que com outros populares, ajudava, ao início da tarde, a colmatar pequenos focos de incêndio que ainda existiam no terreno, numa zona onde o fumo, ainda intenso, tornava o ar irrespirável.

O fogo, e segundo Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada e responsável pela Proteção Civil do município, “terá tido início numa pilha de material” que estava à beira de uma estrada que liga o Luso a Louredo e Santa Cristina. “Felizmente, não temos a lamentar habitações ou pessoas, o que para nós já é bom, neste momento”, disse ainda.

Recordando o incêndio, que se registou na manhã da passada sexta-feira em Louredo, na freguesia do Luso, também nas encostas da Mata do Bussaco e que envolveu mais de quatro dezenas de operacionais, o autarca afiançou que “foi um fogo muito bem rescaldado, onde houve um grande trabalho com máquinas de rasto” e que, por isso, “se descarta a hipótese de algum tipo de projeção”.

Questionado se estes dois incêndios, e um outro pequeno foco que ocorreu na passada segunda-feira na Cruz Alta, terão mão criminosa de quem tem intenção de chegar à Mata do Bussaco, Rui Marqueiro garante apenas que “não tem dúvidas de que o que se quer é atingir a floresta”.

Alguns meios de comunicação social avançaram que tinha sido detido um homem, na manhã de sábado, residente nas proximidades de Santa Cristina. À tarde, no teatro de operações, junto ao posto de comando operacional, encontrava-se uma viatura identificada como sendo da Polícia Judiciária, mas questionado pelo nosso jornal, o presidente da Câmara da Mealhada não teceu qualquer comentário sobre uma eventual detenção.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura e Mónica Sofia Lopes