O proprietário de um estabelecimento comercial em Barcouço queixou-se, na manhã de ontem, 2 de setembro, ao executivo camarário da Mealhada pelo mau cheiro na localidade, bem como o surto de moscas que lhe condicionam o negócio, que diz ser provenientes de dois pavilhões de um aviário. Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, garantiu que a autarquia não tem poderes para intervir no setor da pecuária, mas prometeu, contudo, acompanhar o empresário à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro para tentarem expor a situação.

“Não sei a quem reportar esta situação. Tenho um negócio e estou a ser prejudicado pelo mau cheiro e pela quantidade de moscas. Só ao final de cada manhã chego a tirar quatro a cinco fitas repletas de moscas. Elas só não me entram nas arcas porque estão fechadas”, começou por dizer Jorge Henriques, lamentando “as aves mortas e lixo” que se vê nas proximidades do estabelecimento que dirige.

“Ando a queixar-me desde 2017 e já não sei o que hei-de fazer mais”, continuou o empresário, garantindo que “há pessoas que vêm de França para passar férias e não conseguem estar nas suas casas”.

Em resposta, o presidente da Câmara da Mealhada falou em algumas diligências já efectuadas, nomeadamente se a empresa estaria legalizada, garantindo “estar tudo regularizado”. “Tomei conhecimento junto do SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente) de que este departamento foi lá mais do que uma vez e que foram instaurados pelo menos meia dúzia de autos de contra-ordenação”, referiu o autarca, afirmando que é a esta entidade que cabe a responsabilidade de reportar a situação à DRAP Centro.

Rui Marqueiro afiançou ainda que “nestes casos, a Câmara não pode fazer mais nada”. “Caso ninguém tome medidas, a Autarquia pode é juntar-se aos lesados e levar o caso a Tribunal”. “Neste momento, apenas lhe garanto que estou disponível para ir consigo expor a situação à DRAP Centro”, rematou o edil.

O queixoso, proprietário do “Armazém O Jorge”, garantiu “não querer que se encerre nenhuma empresa”, mas que é urgente “uma grande limpeza!”. “Não sei onde está a Delegada de Saúde nestas situações porque nunca consegui falar com ela”, lamentou ainda Jorge Henriques.

O tema foi também mote para a publicação de um video no youtube, no passado dia 27 de agosto, intitulado “Mau cheiro provocado por aviário em Barcouço está a deixar a vizinhança com nervos em franja”, onde se lê que “a população desespera com mau cheiro de aviário” e que “há dias em que mesmo com portas e janelas fechadas dá para sentir o cheiro dentro de casa”.

“A pouca vergonha permitida”, como se lê nas imagens publicadas no youtube, é um “problema que se arrasta há anos e que já motivou abaixo-assinados e reclamações junto das entidades competentes”. “Como é possível que os responsáveis compactuem com esta vergonha?” e “que tipo de higiene terá este aviário?” são algumas das questões colocadas no video, que já conta com mais de meio milhar de visualizações, onde se vêm contentores sem proteção e se apela ao “bem estar e saúde da população”.

 

Mónica Sofia Lopes