A ideia da viagem surge após o terramoto de 25 abril de 2015 que afetou o Nepal. Na altura surgiu a hipótese de integrar uma equipa por uma Organização Não Governamental mesmo no rescaldo do terramoto. A vontade era muita, mas infelizmente as chefias nunca aceitaram a minha ida.

O bichinho ficou… e o desejo de conhecer o país e de me propor para um projeto de voluntariado nunca me largou.

 

Decisão tomada. 2019 era o ano.

 

Já tinha uma experiência de 2017 em S. Tomé e Príncipe, o que ajudava…

Em fevereiro começou a procura de como ir…fazer o quê…com quem…

E surge assim a Love Volunteers… uma ONG com vários projetos de voluntariado em todo o mundo e em diversas áreas.

Iniciamos os contactos e tentamos perceber como tudo se iria desenrolar. A proposta agradou, 15 dias num Hospital em Pokhara. Será talvez mais uma experiência de conhecimento do que aquilo que verdadeiramente podemos ajudar nestes países… mas abre portas, conhecemos os projetos onde chega o nosso dinheiro, partilham-se conhecimentos, sorrisos, experiências… e isto não se pode medir.

 

Começa a aventura… Primeiro toda a preparação que uma viagem destas implica: vacinas, medicina do viajante, cuidados a ter, cuidados em tempos de Monções,…

Depois a viagem em si: a 26 julho começa a travessia até ao continente asiático.  Um mundo de tradições totalmente diferente  do nosso.

Cinco horas de viagem até Istambul, o maior aeroporto do mundo, mais sete horas de voo até ao aeroporto Tribhuvan em Katmandu, mais 5h 15m de diferença horária… grande jet lag.

O choque  de realidades é gigante, sair do aeroporto em Istambul e entrar no Aeroporto de Catmandu é um choque de realidades..

Chegadas a Katmandu, quem nos recebe é o Keshab…sorriso arrancado devagar, mas depois fácil, olhar calmo, gentil, puro… Primeiros momentos envergonhados, leva-nos no seu pequeno carro, pela cidade…fazendo pequenas perguntas para nos conhecermos melhor (não falar a mesma língua pode ser um grande entrave), mas ele é acolhedor…o que choca com a realidade que vemos da janela…lixo, muito lixo, muita lama, ar pesado da poluição, vacas, cães, a comer da lixeira  a céu aberto. São 6h 30m da manhã, é sábado, ainda há pouca gente na rua. Mesmo assim soa a caos…nem quero perceber como será na hora de ponta…

 

Não há semáforos, nem sinalização. 2, 3, 4 filas de carros, como der jeito. Cada um vira como quer, para onde quer, entre as vacas, as  motas, os riquexós, carros, camiões, lixo, cheiro a gasóleo queimado, cheiro a comida picante…tudo coabita num caos difícil de controlar.

Depois de pousarmos as malas, vamos dar um volta, mas são 9 horas, o calor é abrasador, junto com o cansaço…há que descansar.  O dia seguinte espera se pesado.

Dia 28, são 5h 30m da manha, 00h 15m em Portugal, começa a azáfama de arrumar as malas e descer quatro andares com “estas” às costas, numa escada estreita sobre um ar abafado, quente e húmido.

Depois de uma noite fracionada e de ter servido de manjar a todos os mosquitos…esperam nos sete horas de viagem de autocarro até Pokhara.

O Kasheb foi nosso amigo, escolheu-nos dos melhores autocarros, que até tinha ar condicionado o que ajudou a tornar esta viagem de 200 Km, a 35km/h menos pesada.

E assim chegamos a Pokhara, a segunda cidade do Nepal que serve de base para iniciar a subida do Monte Evereste, cidade mais calma, menos poluída e onde finalmente é possível apreciar um pouco da natureza.

Fomos recebidos pelo Narendra Lama  e Shanta Lama, a família com quem vamos passar os próximos quinze dias, partilhar a sua cultura, a sua religiosidade, as suas refeições …

 

Estela Loureiro é médica na Extensão de Saúde da Vacariça, no concelho da Mealhada, e está, neste momento, no Nepal em missão de voluntariado.

Tal como aconteceu em 2017, em S. Tomé e Príncipe, atendeu, generosamente, ao repto do «Bairrada Informação», e tentará, sempre que lhe for possível, contar-nos a todos(as) a experiência que está a viver.

Para o nosso jornal é uma honra e um orgulho desmedido conseguirmos ter connosco pessoas que têm como objetivos de vida correr o mundo a ajudar e conhecer outras realidades, que nos ficam muito mais próximas quando contadas por pessoas que conhecemos do dia-a-dia.

Obrigada, doutora Estela! Estamos certos que este “obrigado” será replicado por todos os(as) nossos(as) leitores(as).