Chama-se InCantus e é um grupo de Tocares e Cantares de Avelãs de Cima, uma freguesia situada no concelho de Anadia, que, em 2018, editou um álbum, que deu a conhecer não só o talento dos músicos, até então amadores, mas também deu “voz” aos poetas da freguesia, cujas letras das músicas foram materializadas a partir dos seus poemas.

Cerca de três dezenas de elementos, naturais ou residentes em Avelãs de Cima, constituem o “plantel” do InCantus, um grupo onde estão elementos dos doze aos sessenta e oito anos, existindo até um caso em que da mesma família estão o avô, o filho e o neto. “Um dos alunos chegou aqui pequenino e hoje já está no Conservatório de Música em Águeda”, contou, orgulhosa, ao nosso jornal, Eugénia Veiga, uma das vocalistas do grupo, que começou em 2010 com a promoção de “workshops” musicais pela Associação Cultural e Recreativa de Cêrca (S. Pedro), mas só em 2015 fez a sua apresentação pública.

Eugénia Veiga recorda-nos o início do InCantus. “Começámos a sentir o potencial das pessoas que frequentavam os ‘workshops’ e fizemos um apelo à população da freguesia para se juntar a nós. Para além dos alunos e professores das oficinas apareceram também pessoas que gostavam de música ou até já tinham alguns conhecimentos na área”, declarou.

Fernando Guerreiro, o músico mentor do projeto, foi o promotor das oficinas musicais que tiveram início há cerca de dez anos. Um projeto que já levou o grupo a lançar um álbum com onze faixas onde dão voz a poetas da freguesia: Armando Pereira, Vanda Paz e Belarmina da Silva Martins. “Tínhamos poetas, com livros editados e de estilos diferentes. O desafio foi efetivamente pegar ‘neles’ e encontrar temas que fossem exequíveis do ponto de vista musical, respeitando a mensagem intrínseca de cada um”, disse ainda Fernando Guerreiro, explicando que os temas são diversos, focando, por exemplo, “a água, a floresta e o amor retratado de uma forma jocosa e com bom sentido de humor”.

“O disco não é propriamente um ensaio de música popular, é um ensaio de vários estilos que se cruzam e que permitem, de certa forma, ilustrar melhor esses poemas”, enfatizou ainda o músico, destacando alguns deles: “Mulher”, “que retrata de forma realista a profissão mais antiga e difícil do mundo”; “Sopa na Panela”, um tema dedicado à agricultura “que fala da força do trabalho e das expectativas de vida de uma pessoa há mais de oitenta anos”; e “Manda embora a solidão”, um tema de esperança que incentiva à tolerância e à felicidade, afastando os momentos solitários.

Há ainda aquele que é considerado o hino a “Avelãs de Cima”. “Um tema de Belarmina Martins, uma mulher daqui, que sempre aqui viveu. Não tinha grandes estudos, em termos académicos, mas escrevia estas coisas com muita emoção”, elogiou Eugénia Veiga, acrescentando que é um tema que “diz muito” a quem é de Avelãs de Cima. “A nós (do InCantus) o que nos move também é a paixão pela música e pela terra…”, desabafou.

Entretanto, o grupo não tem parado de fazer atuações. Depois da Feira da Vinha e do Vinho, em Anadia; e de participarem no 7.º Encontro de Música Tradicional Portuguesa, em Albergaria; os músicos do InCantus tiveram uma atuação, este domingo, em Óis do Bairro; e prepararam agora espetáculos a 24 de agosto, no Parque da Curia; e a 29 de setembro em Belmonte.

Os “workshops” e aulas de música continuam a ser prioridade do grupo e há até a intenção de, brevemente, serem apresentados os músicos “de palmo e meio” do projeto.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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