“Não é fácil voltar ao mundo real depois de umas horas convosco”. É desta forma que o fotografo Abel Cunha descreve, na sua página pessoal no Facebook, o que sentiu ao visitar o último dia do “Folk Ancas Anadia”, que aconteceu no passado domingo. O evento, que concentrou a maioria das atividades em Ancas, uma pequena aldeia do concelho de Anadia, é promovido pelo clube centenário da referida localidade, que transforma, assim, durante uma semana, aquele lugar, onde residem pouco mais de seiscentos habitantes, num local de passagem de milhares de pessoas, vindas de várias partes do mundo.

Realizou-se de 5 a 14 de julho e quem fez parte ou assistiu às vinte e sete performances / espetáculos, por onde passaram mais de cem músicos em palco e duzentos e quarenta membros de grupos de dança, provenientes de dois continentes, não ficou indiferente “ao acolhimento, carinho e humanidade” que por ali se “respirou”.

Desde concertos na cidade de Anadia e no Parque da Curia, passando por um sunset na Adega Luís Pato, em Amoreira da Gândara, com os “The Youngsters & an Old Guy”, bem como diversos momentos de cinema, foi em Ancas que se concentraram as actividades no último fim-de-semana e que contaram com a participação especial do grupo da Turquia “Beylikdüzü Belediyesi Kültür İşleri Müdürlüğü”.

Um grupo, que a organização designa de “residente”, e que dorme em habitações da população durante os dias do evento. “Em minha casa acolho nove e na da minha mãe cinco. Muitas vezes só falamos por gestos, mas é muito gratificante”, explicou, ao «Bairrada Informação», Maria do Rosário Simões, presidente da direção do Club de Ancas, relembrando o trabalho intergeracional que existe numa aldeia onde a população é maioritariamente sénior e mesmo assim os atos falam por si, com troca de presentes de objectos pessoais entre os nativos e os convidados.

No total dos espetáculos, o evento contou com cerca de três mil visitantes, tendo tido o seu epicentro na tarde do passado domingo, com a Quinta Convivial, do Club de Ancas, a receber as Danças do Mundo. Pelo palco passaram os Ranchos Folclóricos “As Vindimadeiras” da Mamarrosa e de Paredes do Bairro (de Portugal), Gero Axular Dantza Taldea (do País Basco – Espanha), Folk Group “Dolina Dunajca” (da Polónia), Folk Dance Group “Marula” (de Geórgia) e Beylikdüzü Belediyesi Kültür İşleri Müdürlüğü (da Turquia).

Ali, cerca de cinquenta voluntários trabalharam “arduamente” para que tudo corresse na perfeição e pudessem estar à mesa dos visitantes “os melhores negalhos e o melhor leitão”. “Tivemos pessoas que trabalharam de doze a dezasseis horas seguidas a preparar as refeições”, afirmou Artur Castro, presidente da mesa da assembleia-geral do Club de Ancas, referindo que o festival tem um orçamento de vinte mil euros e conta com o apoio camarário anadiense em seis mil euros.

A organização faz um “balanço positivo” e promete a realização da décima terceira edição em 2020, até porque, as palavras de apoio assim o “exigem”. “Um festival bonito e cheio de multiculturalismo, cinquenta turcos que dançavam muito bem, gaiteiros e população atenta e hospitaleira. (Um festival) vazio de visitantes mas com uma alma enorme”, descreve, no Facebook, o realizador Tiago Velhinha Pereira, realçando ainda que a simpatia do mesmo “não tem palavras”.

Declarações que deixam Artur Castro satisfeito. “Não é um projeto fácil e nem massificador, mas onde se vivenciam experiências culturais muito diversificadas e isso faz-nos, ano após ano, dar passos em frente”, concluiu.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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