O executivo da Câmara da Mealhada aprovou, por unanimidade, que a verba de quinze mil euros, inicialmente prevista (e aprovada) para a realização da Rampa Histórica Luso Bussaco (em Maio) e para o Rally Legends Luso Bussaco (de 13 a 15 de setembro), seja inteiramente atribuída à última prova, uma vez que a primeira foi cancelada pela entidade que organiza ambos os eventos, o Clube LusoClássicos. A suspensão, divulgada no Facebook a 24 de março, levou a que a Autarquia tenha emitido uma resposta, mostrando-se “surpresa” pela atitude, uma vez que o Clube tinha dado o prazo de 31 de março para o Município se pronunciar. Já o LusoClássicos, por sua vez, diz “ter havido um mal entendido na leitura da comunicação que foi enviada” e que o que pretendia “era saber a possibilidade da verba ser canalizada para o Legends”.

Depois de uma troca pública de comunicados entre as duas entidades, ontem (8 de abril), o assunto foi discutido com os ânimos a subirem de tom. Na sua intervenção Hugo Oliveira, do LusoClássicos, garantiu ter sido manifestado à Câmara, em junho passado, que “o valor de quinze mil euros era insuficiente para a realização das duas provas”. “O crescimento de participantes e de público faz com que tenhamos aumento dos custos com a Federação, seguros e licenças, bem como com a GNR”, enfatizou, acrescentando que quando a Rampa foi criada “eram necessários três ou quatro polícias”, mas que hoje o comandante não a deixa sair à rua “sem um número elevado de polícias, nomeadamente, nas curvas da prova, na vila do Luso e nas entradas da Mata do Bussaco”.

Hugo Oliveira disse ainda que “ambos os eventos têm reconhecimento a nível nacional” e que, um exemplo disso, é o facto de terem presente uma pessoa da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting nas provas que realizam. “Um crescimento que nos leva a precisar de mais pessoas para ajudar, acrescendo também o valor dos seguros”, continuou, relembrando que, no caso, do Legends (uma prova de dois dias que em 2019 cresce para três), “noventa por cento dos participantes ficam alojados no Luso e arredores”, sendo procurada “por equipas espanholas e até inglesas”.

Rui Marqueiro, presidente da Câmara, começou por dizer que perante um cenário de cancelamento, “seria sempre o segundo evento e nunca o primeiro” e acrescentou “não entender porque isso aconteceu depois de uma aprovação de quinze mil euros”. Mas foi quando o autarca referiu que “tinham cancelado a Rampa por causa do Rally de Mortágua se realizar no mesmo fim-de-semana”, que os ânimos se exaltaram, com Tony Luís, do Clube, a dizer que “era mentira” e que queria que isso ficasse em ata. O autarca reclamou a saída do interveniente da sessão, alegando “estar a perturbá-la”.

Foi Hugo Oliveira quem explicou que esse não seria um motivo de impedimento, uma vez que já tiveram “situações idênticas” e não deixaram de ter cem participantes. “Cancelámos a rampa por falta de apoio orçamental e exigências da Federação”, disse.

O edil quis ainda saber o motivo da prova passar “de um orçamento de trinta e um mil euros, em 2018, com quarenta participantes, para cinquenta e três mil euros, este ano, numa estimativa de trinta e cinco inscrições”. E Diogo Ribeiro, também do LusoClássicos, explicou que “o Legends deixou de ser um rally para passar a ser um festival de motorshow, crescendo em termos de dias, de despesas e de licenças necessárias para permitir que os veículos antigos possam circular”. Referiu ainda que, no ano transato, “participaram quase sessenta veículos” e que, este ano, se prevê, “duplicar o número previsto de trinta e cinco”, muitos deles com isenção de pagamento de inscrição, pelo prestígio que têm na modalidade.

Hugo Silva, vereador da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, lamentou “a ausência de informação” a que tiveram acesso na primeira aprovação, defendendo que “estes eventos encaixam no âmbito histórico do que se quer recuperar para o Luso”.

 

Mónica Sofia Lopes