“No final do mandato contamos ter trinta e dois milhões de euros em obras realizadas”. A declaração é de Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, na última sessão de Assembleia Municipal, aquando da votação do orçamento para o corrente ano, no valor de vinte e dois milhões de euros, e que arrecadou algumas críticas por parte das três bancadas da oposição: coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português.

Em 2019, o executivo socialista, liderado por Rui Marqueiro, assume a continuidade de  uma série de investimentos iniciados no ano transato, tais como, as obras  na ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) da Mealhada e ligação de águas Mealhada – Antes – Ventosa do Bairro; intervenções no Convento de Santa Cruz e Ermidas da Via Sacra (no Bussaco), na Secundária da Mealhada, em três jardins-de-infância e no Mercado da Pampilhosa. Modernização administrativa, rede de saneamento de Barcouço e Mealhada e de Vacariça e Luso, bem como o combate ao insucesso escolar, fazem também parte do programa de continuidade.

Mas o ano que agora começa prevê-se de início para novos investimentos municipais. No Luso, a criação de uma Sala Polivalente; reparação da encosta da Quinta do Alberto e arranjo do parque de estacionamento. Na Pampilhosa, realização dos projetos Chalet Suisso e de reparação do Pontão; e, na Mata do Bussaco, a reparação do Chalet de Santa Teresa, bem como das garagens. Destaca-se ainda, uma “grande reparação” na Piscina da Mealhada; aquisição de prédios, na Antes, para melhoramento do largo do Lar de Idosos; realização do projeto de ciclovia de Ventosa do Bairro – Mealhada; e reabilitação no Bairro Social da Póvoa da Mealhada.

Para o PCP, na voz do deputado João Louceiro, “os munícipes sentem que o concelho está estagnado” e que “há um lote significativo de imóveis, em que a Câmara investiu e que estão parados”. E enumerando algumas das propostas apresentadas na reunião com Rui Marqueiro, ao abrigo do direito da oposição, João Louceiro enfatizou que estas “podiam enriquecer o plano para 2019”, referindo-se, entre outras, “a incentivos no direito à habitação”, aposta em “transportes intra-municipais”, construção de uma “piscina no Parque de Campismo do Luso”, bem como um “parque para auto-caravanas”.

Já para Gonçalo Lopes, do Bloco de Esquerda, “a Autarquia responde mal às necessidades do dia-à-dia dos munícipes” e “o executivo lida mal com a crítica, mesmo a construtiva”. Afirmando que o partido que representa apresentou vinte e cinco propostas – nomeadamente na saúde, ação social, bem-estar animal e de transportes -, e que “nenhuma foi levada em conta”, o deputado declarou que “este ‘PS’ faz políticas para o excel”.

Da coligação, foi Iola Batista quem fez uma declaração de voto, afirmando que “há muitas promessas e pouca concretização”. Referindo-se ao orçamento como um “desbaratar de milhões”, a deputada disse ainda “haver um investimento ruinoso na ERSUC (Resíduos Sólidos do Centro, S.A.)”. “Este é um orçamento de oposição ao concelho que não serve para nós, nem para o concelho”, afirmou.

Em resposta, Rui Marqueiro garantiu “não haver excel nenhum que tenha uma ETAR de três milhões de euros, nem obras numa Secundária no valor de  quinhentos mil euros, milhares de euros em jardins-de-infância e um investimento de setecentos mil euros no Bussaco».

Já sobre o investimento na ERSUC, o autarca afirmou que já rendeu à Câmara “metade do que foi investido”. “E ainda permitiu que não houvesse agravamento de taxas no Município”, declarou.

O orçamento foi aprovado com sete votos contra do BE e coligação e uma abstenção do PCP.

 

Marqueiro prevê 32 milhões de obras realizadas até ao final do mandato

“O segredo do êxito dos Municípios, sobretudo os mais pequenos, está na capacidade de captação de fundos comunitários e isso só se consegue fomentando uma almofada financeira que os possa captar”, referiu Rui Marqueiro, garantindo que a aposta do executivo que lidera é a de ter “no final do mandato, trinta e dois milhões de obras realizadas”.

“E não se preocupem que quem chegar a seguir, ainda vai ter dinheiro para trabalhar”, rematou.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de JOSÉ MOURA