Em prol de fazer uma exposição dos dois projetos implementados pelo Hospital Misericórdia da Mealhada, com o apoio da Câmara Municipal, João Peres, provedor da instituição, esteve ontem, dia 26 de novembro, presente na reunião do executivo. Na ocasião, manifestou o anseio da população em ter as urgências do Hospital abertas vinte e quatro horas por dia (neste momento, só está das 8h às 24 horas), explicando que o encargo financeiro para isso é elevado e que só com o apoio da Autarquia poderá ser possível.

“Os mealhadenses ficariam melhor servidos com as Urgências abertas da meia noite às 8 horas da manhã, mas isso significa ter ao serviço, nesse período, pelo menos quatro profissionais – médico, enfermeiro, auxiliar e secretária – o que é insuportável para a instituição”, referiu o provedor da Misericórdia da Mealhada, garantindo que “se a Câmara estiver disposta a comparticipar, o Hospital abrirá vinte e quatro horas por dia”.

“Nós, os mealhadenses, temos o privilégio de ter um Hospital, sendo o único público-privado da ARS do Centro”, declarou ainda João Peres, explicando que “das quatrocentas e tal Misericórdias que existem no país apenas onze têm hospitais, sendo que nove estão no Norte, um no Tejo (Lisboa) e outro aqui, na Mealhada”.

“O nosso Hospital é uma referência a nível nacional que tem regularmente pessoas de vários pontos da região, tais como, para além da Mealhada, Mortágua, Anadia, Cantanhede, Oliveira do Bairro e Penacova”, referiu ainda, explicando que no caso das cirurgias vêm pessoas de vários pontos do país: “Viseu, Porto, Algarve,…”. “O encargo financeiro é grande para suportar o serviço de Urgências nesse período – cerca de cento e vinte mil euros por ano –, mas a verdade é que a população o pede…”.

A ida do provedor da instituição à sessão camarária prendeu-se com o balanço dos projetos “O Coração é a Razão” e “Rastreios em Saúde”, implementados pelo Hospital, com o apoio financeiro da Câmara, que terão uma segunda edição e que, no caso dos rastreios, vão abranger mais alunos e mais escolas do município.

O balanço positivo do projecto-piloto, onde “a adesão das crianças do Pré-escolar e 1.º Ciclo foi de 98%”, foi a alavanca para o Hospital querer continuar e até aumentar a sua abrangência. “É um número significativo, até porque os dois por cento que não fizeram os rastreios foi por situações de crianças que estavam doentes ou de pais que não assinaram as autorizações”, explicou Carina Soares, da direção de enfermagem do Hospital, que esteve também presente na reunião.

E o objetivo primordial foi conseguido, garante Carina Soares, afirmando que “foram detetadas, precocemente, alterações auditivas e visuais em muitas crianças”, cujos pais foram devidamente informados. “Detetámos e sinalizámos problemas precocemente e isso é benéfico para a população”, referiu.

Nesta segunda edição, os rastreios serão alargados ao segundo e terceiro Ciclos, bem como ao Secundário e Profissional. “Este alargamento implica duplicação de recursos humanos e de meios e um grande trabalho de ‘backoffice’”, disse ainda Carina Soares, acrescentando que apesar de ser um trabalho feito de forma voluntária pelos profissionais da instituição, “temos que garantir a presença de técnicos profissionais, credenciados, para que os resultados finais tenham total fiabilidade”.

No caso do projeto “O Coração é a Razão”, Carina Soares admite que a instituição “gostaria de ter tido mais participantes”, mas faz também um balanço positivo dos “sessenta participantes que fizeram parte do programa de treino de exercício físico, onde ficaram comprovadas reduções aos níveis de colesterol, tensão arterial e massa corporal”.

O executivo aprovou, para este efeito, um apoio anual de 62.800 euros.

 

Hospital tem por receber 600 mil euros de serviços de CTH e SIGIC

Ontem, na reunião de Câmara, João Peres lamentou ainda os atrasos de que é alvo, nomeadamente, nos reembolsos das Consultas a Tempo e Horas (CTH) e do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

“Só da Administração Regional de Saúde do Centro temos seiscentos mil euros por receber, valor de um balanço feito em outubro”, lamentou o provedor da Misericórdia da Mealhada, explicando que a referida entidade “nem o acordo de 2018 ainda assinou com o Hospital”.

“Continuamos a trabalhar, como nos mandaram, mesmo sem ainda termos recebido um tostão este ano, o que faz com que haja profissionais – como cirurgiões e médicos – que estejam sem receber, desses serviços, desde janeiro”, acrescentou, enaltecendo “a dedicação” dos mesmos.

 

Mónica Sofia Lopes