O João, de 5 anos, e a sua irmã Joana, de 7, sofrem, desde muito cedo, de alterações respiratórias, nomeadamente asma. Quando a Mãe deles procurou a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), na altura de Inverno, eles tinham chegado a uma situação limite que os obrigava a recorrer ao Hospital Pediátrico com uma frequência, no mínimo, semanal. Eram noites passadas em claro, sem que a tosse lhes permitisse dormir, e a respiração tão forçada que os cansava ainda mais, não permitindo, acima de tudo, que os seus pequenos corpos fossem bem oxigenados. Esta condição é extremamente preocupante para todos os Pais. A única “solução” que se vai encontrando envolve quase sempre o recurso a broncodilatadores e corticóides que, como bem se sabe, se torna pouco saudável quando usado com muita frequência e a longo prazo…

Após avaliação de ambos, percebeu-se que as diferenças nas manifestações da doença entre eles revelam que se trata de dois tipos diferentes de asma, sendo uma classificada de “calor” e outra de “frio”, aos olhos da Medicina Chinesa.

Desta forma, os protocolos de tratamento foram estabelecidos com recurso a várias técnicas da MTC, consoante cada um dos casos exigiu: Guasha, Ventosaterapia, Moxabustão e, em ambos Acupunctura (sim, aplica-se em crianças assim tão pequenas!). Algumas destas técnicas foram aplicadas logo no primeiro tratamento, e a sessão seguinte foi agendada para daí a uma semana. Na semana seguinte a melhor evidência de melhoria dos pequenos estava na cara da Mãe de ambos que, com alívio informou que não houve, pela primeira vez em vários meses, necessidade de recorrer ao Hospital durante esta semana, e que os pequenos chegaram a conseguir dormir algumas noites completas sem acordar a tossir!!

O tratamento prosseguiu com algumas sessões semanais até efectivar resultados, após as quais se espaçou para frequência quinzenal, só até passar o período crítico da Primavera, dada a história de alergia que também preenche o quadro clínico dos pequenos. Após esta fase, o João e a Joana passaram a vir ter comigo apenas em SOS, de forma felizmente rara, por esse motivo, mas que sempre me alegra tanto porque criei com eles uma ligação maravilhosa! Afinal as agulhas não os assustaram nem um bocadinho e eles adoram vir fazer tratamento quando precisam… são os pacientes mais fortes e doces!

 

NOTA: Em pediatria existem técnicas complementares ou substitutas à acupunctura, quando a criança não tolera o uso de agulhas. Não era o caso dos pacientes relatados, que toleram perfeitamente todas as técnicas utilizadas.

 

Caso clínico real de Paula Gradim – Especialista de Medicina Chinesa, relatado com autorização da mãe dos pacientes mencionados.