O Colégio Jardim de Infância da Curia é conhecido pela defesa da construção de “um mundo melhor”, onde, às crianças a partir dos quatro meses, são dadas as devidas ferramentas para que isso aconteça. A mais recente novidade da escola é o ensino da língua gestual, disponível para as crianças de quatro e cinco anos, que, desta forma, se inserem num projeto inclusivo que, ao que tudo indica, “sairá de portas”, brevemente.

Segunda-feira, 10 horas, e quem entra numa das salas do Colégio da Curia “vê e ouve” as palavras “bom dia”, “obrigado” e “desculpem”, sem barulho, mesmo no seio de duas de dezenas de crianças de quatro e cinco anos. Eden Ricco, educadora, dá aula de língua gestual e ali já todos reproduzem com gestos, os termos que “a professora” vai exprimindo.

“É mais uma das funcionalidades que trabalhamos com as crianças, aproveitando o facto da educadora ter formação na área”, declarou, ao «Bairrada Informação», Maria Manuel Vicetro, diretora e mentora do Colégio, que criou em 1996, enaltecendo as vantagens da aprendizagem da língua gestual: “É precisamente como o inglês, o espanhol e o francês, onde é preciso ser-se um bom conhecedor da língua materna. Para além de os desenvolver, ainda mais, neste aspecto, dá-lhes instrumentos para comunicarem em diversas situações e ensina-lhes o respeito pela diferença”.

A recetividade das crianças é tanta que, com o apoio de uma mãe, Ana Teresa Almeida, que compôs algumas letras de músicas, os meninos acompanham-na em alguns excertos através de língua gestual, em atividades internas. Uma iniciativa que, apesar  de não revelar, tudo indica que resulte num “projeto musical inclusivo”, com novidades já no próximo mês de novembro.

A língua gestual é mais uma aprendizagem, associada a tantas outras, numa escola onde as crianças “passam mais tempo na rua do que no interior do edifício”. É na “quinta” que todos gostam de estar e, mesmo de Inverno com galochas e impermeáveis, as crianças estão sempre prontas para desarrumar e arrumarem os seus brinquedos. E brinquedos para todos eles, sem excepção, são as pedrinhas, folhas, pauzinhos e “tudo o que prima pelo contacto com a Natureza”. “Damos primazia às atividades ‘outdoor’ e passeamos muito no Parque das Termas da Curia”, explicou Maria Manuel Vicetro, conhecida pelos encarregados de educação como “a empresária dos afetos”.

Ali, mal se entra já todos nos sentimos em casa. Um espaço onde a literacia financeira, yoga, educação física, música, natação, taças tibetanas, ciências divertidas, raiki, robótica, xadrez e as línguas gestual, francês, inglês e espanhol são disponibilizadas de forma “divertida”, pese embora, “a disciplina e o rigor” que as crianças nem o sentem.

E tudo é diferente no espaço, que possui quatro bebés em Berçário; dezasseis crianças em Creche, com idades de um aos três anos; vinte dos três e quatro anos; e outras vinte dos quatro e cinco anos. Para além disso, há ainda o serviço de Apoio ao Estudo ao 1.º Ciclo, um trabalho, aliás, que começa logo a ser preparado no último ano de Jardim de Infância.

“Eu divido as crianças da turma dos quatro, cinco anos em três grupos: Jardim de Infância, pré-propedêutico e propedêutico”, explica Maria Manuel Vicetro, enaltecendo que são as crianças do último grupo, que entrarão no 1.º Ciclo no próximo ano, as que se tornam responsáveis pelos mais novos: fazem as camas, colocam a louça na máquina, arrumam a quinta e as salas, etc.

E a verdade é que funciona. Enquanto o «Bairrada Informação» esteve no local, presenciou os mais velhos a ensinarem os mais novos a arrumarem os livros e a remeterem-nos ao silêncio enquanto a professora falava….

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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