A tempestade Leslie “invadiu” cem por cento dos cento e cinco hectares da Mata Nacional do Bussaco. O primeiro balanço aponta para que sejam precisos quatrocentos mil euros para recuperação do espaço, sendo grande parte do valor concentrado em mão-de-obra e em empresas especializadas no setor arbóreo. A “tragédia” não comprometerá, contudo, e segundo António Gravato, presidente da Fundação, a candidatura do Bussaco a Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

O “furacão” como designa Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, fez estragos em toda a área da Mata do Bussaco, com especial incidência nos diversos trilhos, no Vale dos Fetos, na Avenida dos Cedros e na zona da Fonte Fria. A sua “reconstrução” precisará de milhares de euros e de algumas semanas de intenso trabalho.

“Há aqui uma tarefa difícil e complexa”, declarou, na manhã de ontem (16 de outubro), Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas, numa visita pelo Bussaco para se inteirar dos prejuízos. Danos que serão colmatados com verba disponibilizada pelo Estado, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Câmara da Mealhada e Fundação Bussaco. E é unânime que “este valor não chegará para fazer face aos prejuízos”.

“Temos que trabalhar para que, até ao Natal, a Mata possa estar aberta e ao dispor das pessoas”, disse ainda Miguel Freitas, elogiando o trabalho “imediato” que houve no terreno feito pelos Bombeiros, Fundação e equipas de sapadores.

Ultrapassada esta “primeira etapa de abrir a Mata ao público”, o Bussaco sofrerá uma intervenção profunda, “onde tudo será arrumado ‘em condições’”, dado que o referido património nacional ainda tem vestígios da passagem do ciclone Gong que, em 2013, atingiu quarenta por cento da Mata.

“Estamos todos muito empenhados em fazer desta contrariedade uma oportunidade. Vamos dar a volta por cima e vamos tornar o Bussaco mais bonito e aprazível do que estava antes de ter sido atingido pela tempestade Leslie”, referiu António Gravato. E o secretário de Estado relembrou que “apesar da devastação arbórea, nenhum monumento edificado foi comprometido”.

“Estamos a trabalhar com uma determinação e força incríveis. Os funcionários deixaram os seus gabinetes e vieram, todos eles, para o terreno, arregaçar as mangas e colocar mãos à obra”, enalteceu o presidente da Fundação, garantindo que, no domingo de manhã, “a zona central da Mata, junto ao Convento de Santa Cruz e à sede da Fundação, estava totalmente intransitável e, no dia seguinte, já estava tudo limpo”.

“Todos os nossos funcionários, com a ajuda da Câmara da Mealhada, estão no terreno a limpar estradas, caminhos e monumentos, bem como a retirar árvores, ramos, lixo”, continuou António Gravato.

E acerca da candidatura do Bussaco a Património Mundial da UNESCO, o presidente da Fundação não tem dúvidas de que é para continuar, até porque “não há um único monumento ou património edificado com danos”. “Vamos conseguir mostrar uma floresta ainda mais bonita, mais bela e mais limpa”, concluiu.

Ao nosso jornal, o presidente da Câmara da Mealhada garantiu que “será necessário muito investimento em mão de obra” e que os “quatrocentos mil euros – a primeira estimativa feita – não chegarão para fazer face aos estragos”.

É que, para além do trabalho humano “decisivo”, Sérgio Correia, colaborador da Fundação, explica que “é muito difícil a maquinaria pesada chegar a diversos caminhos da Mata”. “Há agora uma emergência inicial em tratar as árvores partidas, inclinadas e derrubadas, mas depois há muito trabalho que será feito durante meses”, acrescentou.

 

Mata do Bussaco não esquecerá noite de 13 de outubro

Recordamos os nossos leitores que “o Vale dos Fetos, um dos locais mais emblemáticos da Mata (espaço com exemplares únicos de fetos de porte arbóreo, um arruamento construído em 1887) registou prejuízos incalculáveis”, garantiu fonte da Fundação, no dia seguinte à tempestade, acrescentando que a passagem da tempestade é bem visível na “Fonte Fria (ao lado do Vale dos Fetos)”. “O caminho entre os Jardins do Palácio e as Portas de Coimbra ficou intransitável, com árvores e ramos caídos em vários pontos. Há vários trilhos turísticos onde nem a pé se consegue circular”, lamentou na altura.

Na noite de 13 de outubro, e depois da passagem do furacão, o Palace ficou “totalmente isolado”. No seu interior estavam noventa hóspedes. “Houve uma grande preocupação em abrir um caminho o mais rápido possível e conseguimos que fosse o que vai da Porta de Serpa até ao Palace. Era obrigatório ter um acesso naquele local”, explicou Nuno João, comandante dos Bombeiros da Mealhada.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de JOSÉ MOURA, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/