Na tarde de ontem, 15 de outubro, a Câmara da Mealhada apelou “aos munícipes e às empresas do concelho da Mealhada que tenham registado prejuízos”, que os reportem “ao Gabinete da Presidência da Câmara Municipal (gabpresidencia@cm-mealhada.pt), descrevendo os danos e, se assim o entenderem, juntando orçamento de reparação dos mesmos”, bem como de fotografias. “Embora a decisão de eventual apoio financeiro às vítimas da tempestade não caiba ao Município (é da competência da Administração Central), a Câmara decidiu apoiar a população e os empresários na organização dos dossiers com vista a submeter os pedidos de apoio à apreciação/validação do organismo do Estado com poderes para o efeito”, adianta o autarca.

No mesmo dia, o Município alertou ainda a população “para a necessidade de redobrar os cuidados de segurança, nomeadamente evitar aproximações a árvores e a zonas potencialmente propícias a derrocadas”. “É imprescindível que ninguém se aproxime de locais de terras altas e/ou em talude”, referiu Rui Marqueiro, presidente da autarquia.

 

Oposição quer que Município crie “mecanismo de apoio financeiro a todos os lesados”

Na tarde de hoje (16 de outubro), num comunicado enviado à redação do «Bairrada Informação» e assinado pelos três vereadores da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada” – Hugo Alves Silva, Sónia Branquinho Almeida e Sara Ferreira – pode ler-se que “tendo em conta as consequências reais da Tempestade Leslie no concelho da Mealhada, enviámos ao Presidente da Câmara uma proposta para que seja criado no Município um mecanismo de apoio financeiro a todos os lesados: famílias, empresas e organizações, no valor de €300.000”.

“Tal como em Setembro de 2017, na sequência dos incêndios florestais que afectaram o concelho, o Município concedeu apoios que permitiram recomeçar a sua vida e a sua actividade, deve hoje manter a mesma linha de actuação e disponibilizar uma linha de apoio que vise atenuar os impactos sociais e económicos deste incidente. A Coligação Juntos pelo Concelho da Mealhada apoiará, dentro das suas competências as medidas responsáveis construídas em favor do apoio à população”, acrescenta o mesmo documento.

 

“Câmara não se pode substituir ao papel do Governo”, responde Marqueiro

Em declarações ao nosso jornal, Rui Marqueiro reitera a publicação feita pela autarquia, na tarde de segunda-feira, garantindo que “a Câmara da Mealhada tomou a iniciativa de solicitar aos lesados da tempestade Leslie que remetessem todos os dados dos prejuízos registados, nas suas casas e/ou empresas, no sentido de encaminhar os dossiês (fotografias de danos, orçamentos de reparações, etc.) para as autoridades nacionais, com competência efetiva e meios financeiros disponíveis, para ajudar a amenizar tais prejuízos. Fê- lo, sem aproveitamento político, e está a acompanhar de perto, de forma permanente e séria, os casos mais complicados”. “Já recebemos cerca de duas centenas de emails”, garante.

O autarca afirma ainda que “a Câmara não se pode substituir ao papel do Governo e muito menos assumir o ónus que, em muitos casos, deve recair sobre empresas seguradoras. Antes de receber qualquer sugestão de partidos políticos, já a Câmara Municipal tinha agido em articulação com as Juntas de Freguesia. Já o executivo tinha andado no terreno, horas e horas a fio, a ajudar lesados, a coordenar meios de proteção civil, a socorrer populações, a dar o máximo para poupar vidas e bens materiais”.

“Felizmente, não há vítimas desta tragédia”, acrescenta ainda o autarca, garantindo que a autarquia que dirige “estará, como sempre esteve, ao lado e do lado de todos os munícipes, mormente dos mais desfavorecidos. Não pouparemos esforços, no limite das nossas possibilidades e obrigações e num quadro de legalidade, para apoiar quem precisa”.

Já sobre o exemplo, dado pela oposição, “dos incêndios florestais em setembro de 2017”, o autarca explica que, nessa altura, “estava em causa pessoas que sem o apoio não podiam trabalhar” e que “estamos a falar, no máximo, de uma dúzia de casos”.

E para o autarca poderá haver novidades já na próxima quinta-feira, aquando do Conselho de Ministros. “Penso que poderá ser definido um conjunto de regras e até o plafond para esta calamidade. Vamos ver…”, concluiu.

 

Mónica Sofia Lopes