Durante meses, a vila da Pampilhosa foi, por diversas vezes, alvo de um autêntico “banho” de fraldas sujas que apareciam quase sempre no mesmo local. A história é caricata por si só, mas vai ainda mais longe ao ter sido a presidente da Junta de Freguesia a “apanhar”, em flagrante, o autor do “mistério”.

As fraldas e toalhetes, provenientes de uma instituição da vila, começaram a aparecer ainda no anterior mandato e sempre na zona inferior à do Pontão da Pampilhosa, muitas vezes em alturas de eventos da freguesia. “Eram centenas, de cada vez que isso acontecia, e tinha a certeza que não partia da instituição que vinha identificada nos artigos”, disse, ao «Bairrada Informação», Rosalina Nogueira, presidente da Junta da Pampilhosa, garantindo, contudo, que “entrou logo em contacto” com a referida entidade, “para que também tivessem conhecimento do que estava a acontecer”.

E foi a partir das câmaras de video-vigilância da instituição que se aperceberam que um vulto, em determinadas noites, estava junto ao caixote do lixo das proximidades. “Conseguia-se ver que alguém ia lá buscar os sacos do lixo com as fraldas, mas era um vulto, não dava para identificar”, continuou a autarca.

Preocupada com a situação, foi na noite do passado dia 31 de julho que recebeu um alerta de que alguém, cerca das 22h 30m, estava junto ao contentor. Rosalina Nogueira, com a ajuda da família, dirigiu-se ao local e agarrou o homem que, nesse momento, colocava as fraldas dentro de um saco. “Na altura, ele disse-me que andava à procura de pão, mas confrontado com o facto de só ter fraldas dentro de um saco, apenas nos dizia que fazia aquilo ‘por causa da cabeça’”, declarou a presidente da Junta da Pampilhosa, que chamou logo a Guarda Nacional Republicana e o diretor da instituição.

Enquanto isso, Rosalina Nogueira garante: “Nunca lhe larguei o braço. Queria mesmo entender porque fazia aquilo. Passava-me pela cabeça que fosse para prejudicar a freguesia e até mesmo a instituição”.

Quando a GNR chegou, o homem, descrito como tendo um “ar apresentável” e com quarenta e oito anos, começou a gritar “para não o levarem preso, enquanto tirava dinheiro do bolso (talvez uns quinhentos euros), dizendo que era para pagar a multa”.

Residente numa  povoação de fora do concelho da Mealhada, já no município de Coimbra, o homem foi identificado pelos agentes da GNR, que ficaram de o levar a casa. “Mas reparei que voltaram atrás e fui ver o que se passava”, contou ainda a presidente da Junta, adiantando que “o homem, já no carro da patrulha, disse que um sobrinho estava num café à sua espera para o levar a casa”.

“A proprietária do café acabou por me dizer que era normal aquelas duas pessoas estarem ali e uma saia sempre durante largos períodos”, referiu a autarca, acrescentando que contactou a Junta de Freguesia da área de residência do homem. “Parece que o senhor tem problemas e ninguém o leva muito a sério, mas o colega da Junta disse que ia tentar procurar ajuda junto de uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) do concelho dele”, acrescentou Rosalina Nogueira, adiantando que “em situações destas, fica-se sempre ‘em mãos’ com um problema social, que também é preciso resolver”.

Deslindado o caso das fraldas, a presidente da Junta da Pampilhosa quer agora entender porque é que, de um dia para o outro, começaram aparecer objetos de grande porte, como colchões e sofás, em vários pontos da freguesia… “É estranho este comportamento das pessoas de um dia para o outro”, lamentou.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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